(tudo o que faço, faço-o por tua causa, e tudo o que faço por tua causa, faço-o por minha causa.)
quinta-feira, agosto 12, 2010
quinta-feira, julho 29, 2010
a propósito da amizade que retribuo, ou não
tenho de pedir desculpa a alguns amigos. tenho mesmo. mas é que também não tenho realmente paciência para os aturar todas as noites, quando todas as noites estou mal por causa da(s) mesma(s) coisa(s)... e é chato, é mesmo muito chato, muito irritante, mesmo, não poder falar disto com ninguém e ter de estar mal para eles, não aguentar uma noite inteira a ouvir pessoas a assobiar ao meu lado, a falar de banalidades, com o nobre e despretensioso objectivo de me distrairem... essas coisas nunca funcionaram comigo, esses intuitos de "puxar para cima". quando estou mal, estou mal, não estou mal a querer fingir que estou bem. e, sim, quero estar com pessoas, mas pessoas que até me podem ignorar, só não quero estar ali fisicamente sozinho, não gosto mesmo que digam piadas para me animar, isso só me deixa pior, porque não consigo rir, e dói-me ainda mais quando me apercebo disso. quero uma pequena bolsa de depressão e angústia partilhadas, à minha volta, é isso que quero; quero os meus amigos bem, mas a deixarem-me estar mal, a perceberem que é mesmo assim que estou, por mais que queira tê-los ali à minha beira.
de novo, desculpem-me. a sério...
de novo, desculpem-me. a sério...
terça-feira, julho 27, 2010
à falta de outro sítio onde pôr isto
por favor não te vás embora de encontro aos becos levando uma mulher pela mão. por favor, fica comigo, tenho frio, tenho uma flor de lótus, o coração a rebentar-me nas mãos como se idêntico a uma flor de lótus atrasada, a ter de morrer por causa de uma idiossincracia anacrónica, como se existisse mas não devesse existir.
come lá o meu coração e eu poderei imaginar uma imagem bíblica para isso.
come lá o meu coração e eu poderei imaginar uma imagem bíblica para isso.
segunda-feira, julho 26, 2010
adenda
(É tão possível que esteja - que seja - errado. Mas tudo o que digo, digo-o porque o sinto. E essa é a maior verdade que posso dar a quem me conhece, a quem me ouve, a quem me lê.)
domingo, julho 25, 2010
monólogo a pedido
Tenho uma pessoa muito especial (se não a pessoa mais especial) que me pediu isto: que escrevesse no meu blog sobre as minhas teorias ou sobre literatura. Ao certo, sobre o quê? As minhas teorias são desconexas e não fazem sentido, sem ser para mim. Nem sequer posso dizer, em boa verdade, que tenho teorias.
As minhas teorias são numa veia de "anti-teoria", isto é, abomino quem pensa por todos, quem presume e pretende e deseja pensar por todos, oferecer uma verdade universal embrulhada em boas intenções e um intuito qualquer de evolução mental. A única teoria, que tenho, ou, pelo menos, a única que sigo, é a de que devemos ser o que somos, que devemos parar de tentar explicar o que sentimos às luzes tão desfocadas de um conhecimento científico e psicológico/psiquiátrico, tudo sempre sendo refutado dia após dia. Somos só um composto de coisas, depende de nós se lhes queremos chamar doenças ou cartilagens ou nervos, se lhes chamamos alma, genuidade, características, carácter, ser, propriedade. Somos isto: existimos, sentimos. O que somos é, em última análise, o que sentimos, somos todos muito egoístas, a esconder isso porque a sociedade ocidental milenar e patriarcal e judaico-cristã e platónica e socrática nos ensina: "o egoísmo é mau". E talvez seja, mas, vistas bem as coisas, somos todos egoístas. A pedir que nos deixem em paz, a não saber deixar os outros em paz, numa demanda quase absurda, de impossível, em busca da nossa própria felicidade e auto-preservação. Mantemos um altruísmo de causas sociais, de abnegação, para esconder um egoísmo último que carregamos cá dentro. E somos altruístas porque alguém nos prometeu o céu ou uma recompensa por esse altruísmo.
Se a nossa genuidade é a única coisa que temos, e a nossa genuidade e a nossa integridade comportam um egoísmo, porque não assumir esse mesmo comportamento? Porque, depois, enfim, recebemos o comportamento de volta. Só recebemos o que damos. Pedimos muito e às vezes não damos nada, portanto, ninguém nos devolve o que não demos. Não há o que devolver. Mas devíamos, ao menos, assumir o nosso egocentrismo inerente a ser humano. A nossa necessidade de ser, de ser tudo, de ser o centro de tudo. Preservamo-nos, apesar de tudo, e vamos desaprendendo uma inocência infantil que nos deixava, enfim, vulneráveis às armadilhas de viver: ao amor, à entrega, ao compromisso, à responsabilidade. E a vida deixa de ter piada, porque complicamos as coisas que à partida seriam simples. O amor, no seu estado puro, é simples. Mas nós não aguentamos. Não aguentamos, porque complicamos. Não nos basta sentir, temos que explicar, temos que sobreviver, que decidir que o amor não chega, que já não somos crianças, que o mundo não é um lugar para crianças.
Enquanto eu for uma criança o mundo há-de ter que ter um espaço para mim, dê lá por onde der.
As minhas teorias são numa veia de "anti-teoria", isto é, abomino quem pensa por todos, quem presume e pretende e deseja pensar por todos, oferecer uma verdade universal embrulhada em boas intenções e um intuito qualquer de evolução mental. A única teoria, que tenho, ou, pelo menos, a única que sigo, é a de que devemos ser o que somos, que devemos parar de tentar explicar o que sentimos às luzes tão desfocadas de um conhecimento científico e psicológico/psiquiátrico, tudo sempre sendo refutado dia após dia. Somos só um composto de coisas, depende de nós se lhes queremos chamar doenças ou cartilagens ou nervos, se lhes chamamos alma, genuidade, características, carácter, ser, propriedade. Somos isto: existimos, sentimos. O que somos é, em última análise, o que sentimos, somos todos muito egoístas, a esconder isso porque a sociedade ocidental milenar e patriarcal e judaico-cristã e platónica e socrática nos ensina: "o egoísmo é mau". E talvez seja, mas, vistas bem as coisas, somos todos egoístas. A pedir que nos deixem em paz, a não saber deixar os outros em paz, numa demanda quase absurda, de impossível, em busca da nossa própria felicidade e auto-preservação. Mantemos um altruísmo de causas sociais, de abnegação, para esconder um egoísmo último que carregamos cá dentro. E somos altruístas porque alguém nos prometeu o céu ou uma recompensa por esse altruísmo.
Se a nossa genuidade é a única coisa que temos, e a nossa genuidade e a nossa integridade comportam um egoísmo, porque não assumir esse mesmo comportamento? Porque, depois, enfim, recebemos o comportamento de volta. Só recebemos o que damos. Pedimos muito e às vezes não damos nada, portanto, ninguém nos devolve o que não demos. Não há o que devolver. Mas devíamos, ao menos, assumir o nosso egocentrismo inerente a ser humano. A nossa necessidade de ser, de ser tudo, de ser o centro de tudo. Preservamo-nos, apesar de tudo, e vamos desaprendendo uma inocência infantil que nos deixava, enfim, vulneráveis às armadilhas de viver: ao amor, à entrega, ao compromisso, à responsabilidade. E a vida deixa de ter piada, porque complicamos as coisas que à partida seriam simples. O amor, no seu estado puro, é simples. Mas nós não aguentamos. Não aguentamos, porque complicamos. Não nos basta sentir, temos que explicar, temos que sobreviver, que decidir que o amor não chega, que já não somos crianças, que o mundo não é um lugar para crianças.
Enquanto eu for uma criança o mundo há-de ter que ter um espaço para mim, dê lá por onde der.
sexta-feira, julho 16, 2010
quarta-feira, julho 14, 2010
Linoleum and Love
They were older then, like their kitchen floor,
linoleum and love worn together more
by each treading heart. They were never sure:
had they found happiness, or simply a way to endure?
My grandfather’s faithfulness was tough and taciturn.
Builder and fisherman, he did not learn
patience, except for fish. He’s hook his fingers in the air,
alive with cigarettes, and catch its burning as ashes in his hair.
His eyes were full of stories we never dared
disbelieve. Looking back, I think he cared,
at least as best he could,
his hands hard with working over water and wood.
Every time we visited, my grandmother gave
us scraps. “For the dogs,” she’d say.
Staying in love; knowing how to save,
make a little go a long way.
Such a brave economy of emotion.
it was the best lesson my grandmother taught,
something we might lean on,
knowing how she’d fought
her way into believing. Her rough
knuckled rosary, her tea-towel with its thin-skinned pride,
had to be, for her, hope enough
until at last: a knocking at the door, a veil drawn aside.
Noel Rowe, Next to Nothing, Vagabond Press, Sydney, 2004
linoleum and love worn together more
by each treading heart. They were never sure:
had they found happiness, or simply a way to endure?
My grandfather’s faithfulness was tough and taciturn.
Builder and fisherman, he did not learn
patience, except for fish. He’s hook his fingers in the air,
alive with cigarettes, and catch its burning as ashes in his hair.
His eyes were full of stories we never dared
disbelieve. Looking back, I think he cared,
at least as best he could,
his hands hard with working over water and wood.
Every time we visited, my grandmother gave
us scraps. “For the dogs,” she’d say.
Staying in love; knowing how to save,
make a little go a long way.
Such a brave economy of emotion.
it was the best lesson my grandmother taught,
something we might lean on,
knowing how she’d fought
her way into believing. Her rough
knuckled rosary, her tea-towel with its thin-skinned pride,
had to be, for her, hope enough
until at last: a knocking at the door, a veil drawn aside.
Noel Rowe, Next to Nothing, Vagabond Press, Sydney, 2004
sábado, julho 10, 2010
segunda-feira, junho 14, 2010
luminária
gostava de agradecer a uma pessoa por estar assim na minha vida, sem acabar por expôr nada de mais, sem dizer nomes nem nada dessas coisas. fazê-lo publicamente, onde mais pessoas leiam e saibam que és o melhor do mundo. com toda a lamechice e pinderiquice possíveis.
domingo, junho 13, 2010
domingo, maio 23, 2010
sábado, maio 15, 2010
Google Earth
The poet’s eye, in fine frenzy rolling,
Doth glance from heaven to earth, from earth to heaven.
Theseus from A Midsummer Night’s Dream (Act V, Scene 1) by William Shakespeare
Doth glance from heaven to earth, from earth to heaven.
Theseus from A Midsummer Night’s Dream (Act V, Scene 1) by William Shakespeare
We started in Africa, the world at our fingertips,
dropped in on your house in Zimbabwe; threading
our way north out of Harare into the suburbs,
magnifying the streets—the forms of things unknown,
till we spotted your mum’s white Mercedes parked
in the driveway; seeming—more strange than true,
the three of us huddled round a monitor in Streatham,
you pointed out the swimming pool and stables.
We whizzed out, looking down on our blue planet,
then like gods—zoomed in towards Ireland—
taking the road west from Cork to Kinsale,
following the Bandon river through Innishannon,
turning off and leapfrogging over farms
to find our home framed in fields of barley;
enlarged the display to see our sycamore’s leaves
waving back. Then with the touch of a button,
we were smack bang in Central London,
tracing our footsteps earlier in the day, walking
the wobbly bridge between St Paul’s and Tate Modern;
the London Eye staring majestically over the Thames.
South through Brixton into Streatham—
one sees more devils than vast hell can hold—
the blank expressions of millions of roofs gazing
squarely up at us, while we made our way down
the avenue, as if we were trying to sneak up
on ourselves; till there we were right outside the door:
the lunatic, the lover and the poet—peeping through
the computer screen like a window to our souls.
Adam Wyeth in Landing Places: Immigrant Poets in Ireland, Dedalus Press, Dublin, 2010
dropped in on your house in Zimbabwe; threading
our way north out of Harare into the suburbs,
magnifying the streets—the forms of things unknown,
till we spotted your mum’s white Mercedes parked
in the driveway; seeming—more strange than true,
the three of us huddled round a monitor in Streatham,
you pointed out the swimming pool and stables.
We whizzed out, looking down on our blue planet,
then like gods—zoomed in towards Ireland—
taking the road west from Cork to Kinsale,
following the Bandon river through Innishannon,
turning off and leapfrogging over farms
to find our home framed in fields of barley;
enlarged the display to see our sycamore’s leaves
waving back. Then with the touch of a button,
we were smack bang in Central London,
tracing our footsteps earlier in the day, walking
the wobbly bridge between St Paul’s and Tate Modern;
the London Eye staring majestically over the Thames.
South through Brixton into Streatham—
one sees more devils than vast hell can hold—
the blank expressions of millions of roofs gazing
squarely up at us, while we made our way down
the avenue, as if we were trying to sneak up
on ourselves; till there we were right outside the door:
the lunatic, the lover and the poet—peeping through
the computer screen like a window to our souls.
Adam Wyeth in Landing Places: Immigrant Poets in Ireland, Dedalus Press, Dublin, 2010
sexta-feira, maio 14, 2010
quinta-feira, maio 13, 2010
Oh as Casas as Casas as Casas
Oh as casas as casas as casas
as casas nascem vivem e morrem
Enquanto vivas distinguem-se umas das outras
distinguem-se designadamente pelo cheiro
variam até de sala pra sala
As casas que eu fazia em pequeno
onde estarei eu hoje em pequeno?
Onde estarei aliás eu dos versos daqui a pouco?
Terei eu casa onde reter tudo isto
ou serei sempre somente esta instabilidade?
As casas essas parecem estáveis
mas são tão frágeis as pobres casas
Oh as casas as casas as casas
mudas testemunhas da vida
elas morrem não só ao ser demolidas
elas morrem com a morte das pessoas
As casas de fora olham-nos pelas janelas
Não sabem nada de casas os construtores
os senhorios os procuradores
Os ricos vivem nos seus palácios
mas a casa dos pobres é todo o mundo
os pobres sim têm o conhecimento das casas
os pobres esses conhecem tudo
Eu amei as casas os recantos das casas
Visitei casas apalpei casas
Só as casas explicam que exista
uma palavra como intimidade
Sem casas não haveria ruas
as ruas onde passamos pelos outros
mas passamos principalmente por nós
Na casa nasci e hei-de morrer
na casa sofri convivi amei
na casa atravessei as estações
respirei – ó vida simples problema de respiração
Oh as casas as casas as casas
Ruy Belo, in Todos os Poemas, Assírio & Alvim, Lisboa, 2000
as casas nascem vivem e morrem
Enquanto vivas distinguem-se umas das outras
distinguem-se designadamente pelo cheiro
variam até de sala pra sala
As casas que eu fazia em pequeno
onde estarei eu hoje em pequeno?
Onde estarei aliás eu dos versos daqui a pouco?
Terei eu casa onde reter tudo isto
ou serei sempre somente esta instabilidade?
As casas essas parecem estáveis
mas são tão frágeis as pobres casas
Oh as casas as casas as casas
mudas testemunhas da vida
elas morrem não só ao ser demolidas
elas morrem com a morte das pessoas
As casas de fora olham-nos pelas janelas
Não sabem nada de casas os construtores
os senhorios os procuradores
Os ricos vivem nos seus palácios
mas a casa dos pobres é todo o mundo
os pobres sim têm o conhecimento das casas
os pobres esses conhecem tudo
Eu amei as casas os recantos das casas
Visitei casas apalpei casas
Só as casas explicam que exista
uma palavra como intimidade
Sem casas não haveria ruas
as ruas onde passamos pelos outros
mas passamos principalmente por nós
Na casa nasci e hei-de morrer
na casa sofri convivi amei
na casa atravessei as estações
respirei – ó vida simples problema de respiração
Oh as casas as casas as casas
Ruy Belo, in Todos os Poemas, Assírio & Alvim, Lisboa, 2000
alguma tristeza e desencanto com isto, que resumirei numa frase aparentemente positiva:
ao menos já não vou mesmo ter de conviver com o Nuno DUMPSTER.
quarta-feira, maio 05, 2010
La femme de trente ans
Amarás
o meu nariz
brilhante
as minhas estrias
os meus pontos pretos
os meus textos
os meus achaques
e as minhas manias
e as minhas gatas
de solteirona
ou não me amarás
Adília Lopes, in Obra, Mariposa Azual, Lisboa, 2000
o meu nariz
brilhante
as minhas estrias
os meus pontos pretos
os meus textos
os meus achaques
e as minhas manias
e as minhas gatas
de solteirona
ou não me amarás
Adília Lopes, in Obra, Mariposa Azual, Lisboa, 2000
segunda-feira, maio 03, 2010
quinta-feira, abril 29, 2010
"faz um post mais animador no blog", com direito a copy-paste.
Manifestação de Vida says:
*eu amo-teee
*nao sei dizer mais nada, desculpa
Manifestação de... Coisa Boa? says:
*dizes-me a melhor coisa do mundo
*e ainda pedes desculpa
*:\
*vou colar esta conversa no blog e fazer um post
*eu amo-teee
*nao sei dizer mais nada, desculpa
Manifestação de... Coisa Boa? says:
*dizes-me a melhor coisa do mundo
*e ainda pedes desculpa
*:\
*vou colar esta conversa no blog e fazer um post
quinta-feira, abril 22, 2010
sábado, abril 17, 2010
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