quarta-feira, abril 08, 2009

Mais Óbidos! (^o^)

Panorâmica da Cerca do Castelo, utilizando uma bela função do telemóvel, que é a de tirar três fotografias e juntá-las numa só - esta foto foi tirada com a perfeita noção de que está uma bela merda.

Restos do Festival do Chocolate, escondidos contra a muralha.

Pato Matino, a fugir à foto. Na versão ampliada (clique-se na dita foto e ela surgirá em seu esplendor real), vê-se melhor o Pato per se.

No Miradouro, ainda sem ginja nenhuma em cima, o que, diga-se, é pena.

No Miradouro, já a ponderar gastar €2.50 num copo de ginja.

No Miradouro, mas, agora, a apontar para o outro lado.

Este arco sempre me aprouve, sei lá bem porquê.

Selecção feminina de futebol... Sub-21? Belga, a atravessar a Rua Direita, e nós, predadores sexuais desesperados, no seu encalço.

Exposição na Galeria Ogiva.

Sei lá porquê, chamam a isto "a casa do Romeu e da Julieta". Quer dizer, até sei, mas é tão ridículo, que me custa a contar.

O meu pai guardou esta imagem quando a casa (no caso, a casa "do Romeu e da Julieta") esteve em reconstrução. Não se vê muito bem e, mesmo que se visse, a verdade é que não há muito para ver.

Este puxador de porta em forma de canídeo é mostrado num percurso turístico específico, que só mostra pequenos pormenores interessantes da vila. Poupo já trabalho aos guias.

Porta da Vila, com velhos sentados do lado direito e um motard do lado esquerdo.

Aqueduto, no caminho do Bairro dos Arcos até à vila.

Parece que, em Óbidos, ce vende um terreno. Seria de valor mandar uma sms para este número só a dizer "Vende-se."

Casa das Fadas. Gosto deste sítio, e lembra-me bons amigos, boas tardes, boas leituras, boas músicas. Uma parga de coisas boas, portanto.

Pelourinho, Solar de Santa Maria/Museu Municipal e, enfim, Rua Direita, que, para muito turista (e não só) parece ser a única rua que Óbidos tem.

Santuário do Senhor da Pedra, ao fundo. Não estava assim tão ao fundo, mas, por mais cliché que pareça e seja, foi com o telemóvel e, embora a camera seja de 2 mega pixel, não tem zoom e fotografa tudo dando a impressão que as coisas estão mais afastadas do que na realidade estão. Talvez devesse arranjar uma máquina fotográfica "a sério"...

Eu (esquerda) e Nené (direita) a voltar para casa.

À noite

No CCC, com um cavalheiro alheio a ficar na foto, com ar de quem não está assim tão alheio.

No Trombone, com um dos dois elementos de um casal da mesa em frente.

Xana, ou "como deixar de saber meter conversa com pessoas agradáveis à vista"

- eras pessoa para ir ver Dead Combo?
- hm... era, pois.
- não... quer dizer... o que eu queria dizer era se eras pessoa para ir ver Dead Combo
comigo...
- ah... ok.

terça-feira, abril 07, 2009

Impressões d'Os Três Macacos


Confesso que, depois de ter visto A Valsa com Bashir há duas semanas, não pensei ver um filme tão bom assim tão depressa. Serei rápido na minha apreciação, e o mais certo é que me repita, já que noto que, por estupidez e casmurrice em me educar relativamente ao cinema, acabo sempre por dizer as mesmas coisas. Mas, vá...
Como todos os filmes que tenho visto no Centro Cultural e de Congressos das Caldas da Raínha (e já são alguns, estive ainda agora a contar os bilhetes, e já é um maço razoável), não é um filme fácil. Se calhar, comparava-o, no que à história diz respeito, ao Sügisball - indiscutivelmente um dos meus favoritos - já que as personagens, embora menos e mais exploradas individualmente, vivem num estado de apatia e conformismo que as leva a, como na fábula dos Três Macacos, nunca ver o mal, nunca ouvir o mal, nunca falar do mal. O filme está cheio de bonitas (ou perturbadoras, conforme o ponto de vista) metáforas visuais, como sejam as visões de um membro da família que morreu afogado num passado nunca realmente explicado, acompanhadas de um calmo e, passado uns minutos, bastante irritante som de água a pingar no que parece ser um recipiente. O filme é lento, tem uma cadência muito própria, e usa filtros de imagem sempre cinzentos ou creme, o que ajuda a acentuar a melancolia em que tudo está embebido. As personagens não são carismáticas, são, até, apresentadas numa sub-vulgaridade estarrecedora, na qual muito poucos espectadores se poderão rever totalmente. Ao contrário, por exemplo, d'A Valsa com Bashir, ou de Por Entre os Dedos, ambos filmes que também vi no CCC, ou, até, de um certo ponto de vista, Quatro Noites com Anna, Os Três Macacos não é um daqueles filmes a que possamos chamar de "um murro no estômago". É violento, e tudo isso, mas é simplesmente demasiado melancólico e "surrealmente real", para causar uma reacção instantânea, quando acaba. É mais como uma espécie de sonho subliminar, uma coisa que vai acontecendo devagar, mas que deixa, indelevelmente, marcas profundas.

Quem estiver interessado a ver um bonito, lento e poético exercício de cinema, a contar a história das estórias de uma família turca de classe baixa, é, sem dúvida, um filme a ver. Todos os que contarem com mais movimento, interacção, diálogo e, no fundo, mais coisas a passar, não é este o filme que devem buscar. Para quem estiver num ponto intermédio, ou para quem não entendeu nada do que estive para aqui a dizer, é de aconselhar, porque, dito simplesmente, o filme é soberbo.

segunda-feira, abril 06, 2009

sexta-feira, abril 03, 2009

Se ao menos eu soubesse tirar fotografias decentes/-mente...



Sim, eu sou daqui. As cerejeiras estão em flor - que ainda é o que escapa no meio disto tudo.

N.B.: Na foto de baixo, i.e., a das casas e da muralha ao fundo, para aqueles com um sentido de orientação alternativo e funcional a seu modo especial, em cima, à direita, a estrutura que se avista é a antena de comunicações do posto da GNR de Óbidos. Só aí se vê o quão sou um fotógrafo de valor.

terça-feira, março 31, 2009

Para a Margarida e o Manuel:

"I am an excitable person who only understands life lyrically, musically, in whom feelings are much stronger as reason. I am so thirsty for the marvelous that only the marvelous has power over me. Anything I can not transform into something marvelous, I let go. Reality doesn't impress me. I only believe in intoxication, in ecstasy, and when ordinary life shackles me, I escape, one way or another. No more walls."
Anaïs Nin

segunda-feira, março 30, 2009

Projecto de coisa em Lulu.com:

Já "publiquei" um livro no site lulu.com; podem ver o livro aqui e/ou comprá-lo, em formato tradicional (cerca de 15 euros) ou em download (grátis), clicando na imagem abaixo:

Support independent publishing: buy this book on Lulu.

N.A.: O livro não está paginado porque eu sou, notoriamente, uma criatura preguiçosa e procrastinadora, que só se lembra desses pormenores no fim.

"I'm not a monster, it's only a mask!"

Às vezes pergunto-me o que é que ainda venho aqui fazer. Aqui, à net, aos blogs, sei lá... ver estas coisas todas sempre na mesma, nunca nada de novo, nunca ninguém a falar, e isto, infelizmente, é o único sítio onde posso vir desabafar das coisas ridículas que persistem na minha vida - calculo que todas as vidas tenham o seu quê de ridículo, ocasionalmente, mas neste caso trata-se da minha.

Venho da televisão para o computador e do computador volto para a televisão, leio umas coisas pelo meio, choro bastantes vezes com a sensação esquisita de que tive a pessoa da minha vida mas agora ela foi-se embora e não volta mais. E não falo com ninguém sobre isso, porque, foda-se, dizem-me sempre e só o mesmo, e eu estou farto de ouvir sempre e só o mesmo. Como tudo, em mim, queria que as pessoas seguissem o meu guião espiritual/existencial invisível, e que me dissessem exactamente o que queria que dissessem, ou queria só que me ouvissem, mas que me dessem atenção, mesmo que não digam nada. Saber que alguém se preocupa comigo, sim, quero muito que as pessoas que me importam se preocupem comigo, que queiram saber de mim, que me queiram ajudar, que queiram saber o que podem fazer para que eu não chore tanto nos intervalos dos livros e do computador e da televisão (no fundo, acho que essas alturas se tratam das vezes em que realmente vivo e me preocupo, não é a apatia irritante do costume), a pensar que a minha vida é uma merda, a sentir que a minha vida é uma merda, que estou para aqui sozinho, a afundar-me cada dia mais em pensamentos auto-destrutivos, a porcariazinha das palavras da psicóloga que me forço a repetir, mas de tanto as repetir deixaram de fazer sentido, é como as orações, acho eu, e como as teorias do curso... a gente repete as coisas até perderem a alma do que eram, a gente convence-se das verdades que bem entender, até que essas verdades já são mais que verdades, são dogmas, ou coisa que o valha, e deixa a alma num outro sítio qualquer. E deixamos de nos encantar com as pessoas e com as coisas, porque "o amor não vale a pena", mesmo que valha, porque nos magoámos tanto, que não queremos passar por isso outra vez.

Quem é que lê isto? Quem é que vai querer saber disto daqui a uns dias, a uns meses? Eu vivo à espera de saídas, de cafés, de conversas, de telefonemas, de partilhas de existências que nunca vão acontecer. É evidente, por mais que o tempo passa.

Eu preciso de um abraço de jeito. Sinto tão concretamente que não sirvo para mais nada. Nem para escrever, diga-se, já. Venho para aqui cheio de ideias e no fim acabo por não escrever nada, porque nada me sai como eu queria, como devia sair. E neste momento doem-me os dedos e a cabeça, quero falar de coisas de que não quero falar, quero perguntar de coisas por demais evidentes, mas sei que as pessoas que me poderiam responder só diriam coisas que eu não quero mesmo nada saber. Quero adormecer, acho que isso era o melhor, desde que não sonhasse com estas coisas com que sonho quase todas as noites.

Quero morrer, se alguém prometer que se lembra de mim no fim disto tudo.

sábado, março 28, 2009

^o^


Devendra Banhart - A Ribbon

I'm not evil,

it's even lame how not evil I truly am.

quinta-feira, março 26, 2009

quarta-feira, março 25, 2009

"Who built the love?"


Portugal. The Man - Elephants

terça-feira, março 24, 2009

Missing Mark Sandman

E a seguir:


Três Macacos (Üç Maymun), de Nuri Bilge Ceylan, em exibição no CCC das Caldas da Raínha no próximo dia 6 de Abril, Segunda-feira (como sempre, aliás).

Impressões d'A Valsa Com Bashir

Vi o filme ontem e, caraças!, é, absolutamente, uma obra de arte. Sob todos os aspectos. Para além disso, julgo que abriu os olhos a muita gente que ali estava sentada à espera de outra coisa.
Reconheço que ia com algum medo de que a vertente de "documentário" do filme fosse mais acentuada do que realmente é, e que isso me fizesse gostar menos do filme, mas, felizmente, essa parte é só uma outra maneira de contar a história - pessoal e colectiva - da personagem principal (o autor/realizador, Ari Folman, dá a entender que se trata de si próprio), a qual, conforme vai avançando na (re)descoberta do seu passado subconscientemente esquecido, se vai enchendo de imagens cada vez mais surreais, até terminar no realismo absurdo de uma filmagem vídeo "tradicional", de mulheres e mães palestinianas a chorar a perda das suas famílias, no meio de corpos massacrados.

Gostaria, além de recomendar, mais uma vez, este filme, a todos os que estiverem interessados em cinema de qualidade (mais uma vez, não se deixem influenciar pelo facto de a Academia ter nomeado o filme para os Oscares), deixar um pedido de deculpas, em nome de Ari Folman, aos senhores muito... "cultos", que estavam atrás de mim, a falar de correntes e estéticas culturais, que pareceram muito indignados pelo facto de o filme ser em hebraico, e não em francês e de, para além disso, todos os textos - legendas à parte - serem em inglês. Lamento, se nem tudo o que é cultura vem de França. Aliás, não lamento nada, estou a ser irónico, caríssimos. Já me começam a fartar esses linces ibéricos da cultura, que acham que tudo o que é de valor tem de, obrigatoriamente, ser francês...

quinta-feira, março 19, 2009

Me & The Minibar

(acho que sei para quem é esta... letra de música.)

Bring two pre-fixed dinners up
I'll unwrap the plastic cups
It's just us, my love
It's just us, my love

I will make the room up nice
Put your insides all on ice
It was real, true, love
It was real, true, love

Close all the windows
Put signs on the handles
And strip down to my dum-de-dums
You have gone so far
You have come so far

And tonight
It's just me and the minibar

Candles from the Wal-Mart that
Every city's got to have
That I bought last night
That I bought last night

I was so excited to
Do such normal things with you
When you left last night
With your toothbrush dry

No such details will spoil my plans
That is the kind of girl I am
Ha, ha, ha

Can you hear room 318
Man, they're really happening
They're a wild bunch
They're a wild bunch

But if they just knew what my night was coming to
God, would they fall down and run
You have gone so far
You have gone too far

So tonight
It's just me and the minibar
Nobody else

And I sing at the top of my lungs
Happy birthday, us
Happy birthday, us

The Dresden Dolls

segunda-feira, março 16, 2009

The Happiness Project



Nunca na minha vida tinha ouvido uma ideia tão original (presumo que a ideia, em si, não seja original, mas, sim, a concretização da mesma) a nível musical, como este álbum de estreia, a solo, de Charles Spearin (Do Make Say Think, Broken Social Scene). Basicamente, baseado nas flexões, inflexões, tons, cadências, fluências, ritmos e melodias naturais das vozes das pessoas que o rodeiam, Charles Spearin, acompanhado de alguns amigos músicos, "compôs" músicas, nas quais a voz tem um papel fundamental - e principal -, dando bastantes vezes a entender, ao longo do álbum, que estamos a ouvir alguém a cantar, ou a utilizar a fala como um instrumento propositadamente. Mas não. São só os vizinhos, a mulher, as filhas e ele, a conversar. Aconselho verdadeiramente, em particular a todos aqueles que procuram algo novo (embora alerte para o facto de o resultado final poder não agradar a todos os ouvidos... é, na verdade, um álbum conceptual bastante experimental, avant-garde, chamemos-lhe o que quisermos, de onde resultaram músicas finais bastante similares a blues, jazz, folk, sobretudo coisas deste género), a que arranjem uma forma de ouvir este álbum maravilhoso, na íntegra, inclusivamente, se assim puder ser. E termino, com as palavras do próprio Charles Spearin a propósito deste seu projecto:

"These are my neighbours. My wife and I have two little kids and live downtown Toronto. In the summertime, all the kids in the neighbourhood play outside together and everyone is out on their porch enjoying each other’s company, telling stories and sharing thoughts. A year or so ago, I began inviting some of them over to the house for a casual interview vaguely centered around the subject of happiness. In some cases we never broached the subject directly but nonetheless my friends began to call it my 'Happiness Project.' After each interview I would listen back to the recording for moments that were interesting in both meaning and melody. By meaning I mean the thoughts expressed, by melody I mean the cadence and inflection that give the voice a singsong quality. It has always been interesting to me how we use sounds to convey concepts. Normally, we don’t pay any attention to the movement of our lips and tongue, and the rising and falling of our voices as we toss our thoughts back and forth, just as we don’t pay attention to the curl and swing of the letters as we read. I wanted to see if I could blur the line between speaking and singing and write music based on these accidental melodies. So, I had some musician friends play these neighborhood melodies as close as they could on different instruments (the tenor saxophone as Mrs. Morris, the harp as Marisa, etc.) and then I arranged them as though they were songs. The result is a beautiful and unique collection of songs, blissfully blurring the lines between jazz, folk, indie rock, and inspirational improvisation."

(E, pelo menos a mim, faz-me mesmo sentir feliz, no fim de cada audição que lhe dedico.)

I get those as well!!

Cutty Sark


Art Brut - Mysterious Bruises

I'm going through this Art Brut phase right now.

sexta-feira, março 13, 2009

Dance Music



Errors - Dance Music

Que bom filme é vossemecê, caríssimo? (Interné, parte qualquer-coisa)




Você é "O ódio" de Mathieu Kassovitz. Você é inconformado(a), revoltado. Vive se metendo em brigas, mas tem muita atitude. Para além disso, você (eu) faz testes que dão resultados em Português do Brasil, o que é uma coisa bastante terna, melíflua, até, reconheça-se.

Faça você também Que
bom filme é você?
Uma criação deO
Mundo Insano da Abyssinia

enfim... acho que também mereço uma de mim próprio, de vez em quando... (T-T)


Morphine (THEY ARE TRULY THE BEST*) - I Know You (Pt. III)

* I am so fucking biased, it sucks... (I'm also aware of the tense variation in my using of the present in "are", when they, indeed, were , Past/Simple Past - for me, they ARE, Present/Simple Present)

À falta de pachorra, um copy-pastezinho fica sempre bem:

Copy-paste de um artigo feito por mim próprio na página de last.fm de um evento a que fui assistir ainda há pouco, e que achei por bem colocar aqui também:

Marta Hugon e Trio/Quarteto mágicos, numa noite memorável no CCC

Foi, de facto, muito bom, diria mesmo que um concerto inesquecível pelos melhores motivos, Filipe Melo, Bernardo Moreira, Bruno Pedroso (que veio substituir o anunciado André Sousa Machado) e a grande Marta Hugon todos ao seu mais alto nível. Música que se sentia pelo corpo todo, uma voz quente, sensual, forte e meiga ao mesmo tempo, capaz de fazer lembrar nomes como o de uma genial Billie Holiday, sem vergonhas nem diminuições, segura de si, acompanhada sempre (ou a fazer-se acompanhar) de um fundo musical sem falhas, perfeito, arriscava. O público aplaudiu pouco os solos, mesmo quando muitas vezes estes deviam ter sido aplaudidos, e aplaudiu outros, nomeadamente o primeiro solo de guitarra (já debaterei essa questão mais abaixo), que, sinceramente, não era merecido. Estava pouca gente, ainda para mais quando era um concerto no Grande Auditório (mais uma vez, contrariando o que tinha sido anunciado no site oficial), que tem 600 lugares, onde uns "míseros" cem espectadores parecem pouco, quando comparados à imensidão do espaço. No entanto, Marta Hugon ainda deu o "abraço emocional" da praxe, dizendo, quando o público pediu o encore, que eram "poucos, mas bons". Cantaram-se músicas do último álbum, Story Teller, outras, do primeiro, Tender Trap, e ainda uma composta à parte, numa mistura e harmonia de sons conhecidos e menos conhecidos, mas todos com um toque pessoal e individual, que na voz de Marta Hugon pareciam estar a ser oferecidos com carinho a todo e cada um dos espectadores ali presentes. Foi, poderei dizer com toda a convicção e certeza, um momento de privilégio que tive a sorte de poder presenciar. Uma coisa muito, mas mesmo muito perto do mágico.

Contudo, infelizmente, por uma questão de gosto pessoal, lamento a presença do guitarrista convidado, André Fernandes, que não deixa de ser um grande músico, a seu modo, mas toca um tipo de som de guitarra no jazz ao qual, por mais que tente, não me consigo habituar, é aquilo que descrevo como "guitarradas virtuosas de jazz à lá Pat Metheny". E, sim, se bem que o Pat Metheny tem coisas muito boas, também tem outras que, enfim... pelo menos, a mim, não me dizem nada, é demasiado virtuosismo e vejo as capacidades da guitarra a acabarem por ser muito mal exploradas, sendo que a guitarra acaba por fazer um som estranho, que se assemelha mais ao som de um piano misturado com um trombone, mais próprio de um sintetizador, do que uma guitarra. Ou talvez seja só o facto de eu estar mal habituado com o Mário Delgado, que considero o melhor guitarrista de jazz (e não só, mas enfim) nacional, e quando ouço guitarras no jazz estou à espera que sejam assim, e não estes "virtuosos" que se misturam com nomes como Carlos Santana ou, como referi acima, Pat Metheny.

Sei que perdi muito tempo a falar deste meu problema com a guitarra, o que talvez faça transparecer que não gostei do espectáculo, quando não foi nada disso, adorei tudo, foi, sem dúvida, dos melhores concertos a que assisti, um dos melhores até dentro do género do jazz (e, parecendo que não, já assisti a muita coisa dentro desse género), repetiria sem pensar duas vezes esta noite em muitas que se lhe seguissem. Agora, baixava, sem dúvida, o som da guitarra, para que ficasse mais disfarçada, por exemplo, debaixo do pizzicato fabuloso do fenomenal Bernardo Moreira.

N.A.: Gabo, no entanto, a música que se tocou/cantou, composta por André Fernandes (música) e Marta Hugon (letra), sendo que, ironicamente, foi das músicas que o guitarrista tocou em que se notava menos a guitarra. Parabéns, portanto, a André Fernandes, por ter composto uma música tão fantástica, como é o caso desta Time.

terça-feira, março 10, 2009

40 is not so scary

when we look like you do.

sexta-feira, março 06, 2009

Who watches the Watchmen? (Apparently, I do, for one!)


Não quero parecer arrogante, mas sê-lo-ei: que se lixem os pseudo-intelectualóides que gostam é de filmezinhos acerca dos direitos dos homossexuais, ou de reflexões profundas sobre a vida e as relações humanas, os filmes que concorrem aos Oscares e aos Cesares e aos Leões de Ouro e Globos de Ouro, Raspberries, Cannes, Veneza, Berlim, Los Angeles: o Watchmen é, talvez a par do Coraline, o melhor filme que vi nos últimos tempos. O realizador não entrou por caminhos que talvez lhe tivessem sido mais fáceis, e manteve-se bastante fiel à BD, o que, a mim, particularmente, sendo eu um geek completamente apaixonado pela mesma, me agradou bastante.
Talvez os intelectuais se deixem enganar por um poster de filme tipicamente "poster de filme de heróis ou pelo menos filme de acção", e, até certo ponto, seriam bem enganados. É um filme onde, reconheçamo-lo, há bastantes partes de acção (se bem que tão coreografada e/ou bem filmada, que passa quase por "porrada artística"), e essas pessoas talvez pensem "isto não é nenhum Slumdog Millionaire, nenhum Milk, nenhum Benjamin Button, nenhum filme minimalista polaco, logo, não me merece sequer a atenção, é só mais um filme para as massas, esses, que não pensam, entorpecerem a mente!" Nisto, meus caros, enganam-se. E infelizmente. Porque na novela gráfica Watchmen, que não é à toa considerada a melhor novela gráfica de sempre, (um exemplo entre muitos) existe talvez o primeiro "super herói" assumidamente homossexual. No filme isto mantém-se. Há temas políticos, humanos, sociais, ideológicos - científicos, até... o que é mais do que muitos dessoutros filmes oferecem num só. Se ligarmos só às partes de luta e acção, sim, é só mais um filme para entorpecer a mente. Mas acho que o filme é uma obra de arte a muitos níveis, e se as pessoas se armarem em preconceituosas, garanto que só ficam a perder. A nível de fotografia. A nivel de diegese. A nível de profundidade de carácter das personagens. Das relações entre elas, e delas com o mundo (e a própria humanidade).
E, se correrem, ainda ganham um crachá igual ao da foto (imagem de marca da banda desenhada e do filme, e mais não digo, para não desmistificar a coisa), disponíveis para todos os que a ele assistirem nas primeiras sessões - presumo - pelo menos de algumas salas.
Não é o Milk. Não tenta ser. Nem precisa. É melhor. Muito. Mesmo. Vale cada cêntimo dos bilhetes da vossa área de residência. Corram para ver. Por favor. Ou, o que seria bem melhor, comprem a bd (só que sairia mais caro, mas, enfim, é outro tipo de experiência). Larguem algum do preconceito contra "essas coisas de heróis, que é para adolescentes, e tal". É que não são só para adolescentes. E mesmo que fossem, repito-o: o Watchmen não é, garantidamente, não é uma marca de heróis, não é o Homem-Aranha nem o Super Homem nem o Batman nem os X-Men nem nada disso, e nem sequer tem nada a ver, algumas similaridades de fatos à parte. Isto é um filme que toda e qualquer pessoa devia ver. Ponto final.

Citando a novela gráfica e o filme (se bem que noutro sentido): who watches the Watchmen?
(R.: I think everyone should.)

P.S.: O argumentista original da bd, Alan Moore, distanciou-se do projecto, não aparecendo sequer creditado no genérico inicial, por motivos vários, que não me compete debater, embora compreenda bastantes deles, mas, de qualquer forma, o ilustrador, Dave Gibbons, associou-se inteiramente ao projecto cinematográfico, o que, pelo menos para os fãs da bd, assegura um bocadinho a fidelidade à fonte (que, como disse, é muita, embora haja discrepâncias de menor, as quais, imagino, muitos fãs incondicionais - falo mesmo de pessoas obcecadas, que não é o meu caso - verão como afrontas ao "espírito da coisa").

quarta-feira, março 04, 2009

Nightlife

- tenho de ir ali.
- fazer o quê?
- olha, mijar, por acaso...
- Pedro, tu mijas?! Nunca te vi mijar!

terça-feira, março 03, 2009

segunda-feira, março 02, 2009

Para Kunio Kato, vencedor do Oscar para melhor curta-metragem:

Discurso do japonês Kunio Kato, realizador da curta-metragem vencedora do Oscar deste ano, La maison en petits cubes:

So heavy. Thank you very much. Thank you, my supporters. Thank you, all my staff. Thank you, my producer. Thank you, Academy. Thank you, animation. Thank you my company, Robot. Domo arigato, Mr. Roboto. Thank you very much.


Styx - Mr. Roboto

domingo, março 01, 2009

Em resposta a um convite de uma amiga:

Quando passei pelo blog de uma grande amiga, a Joana, deparei-me com um convite em corrente que lhe tinha já sido endereçado pela Soledade, convite no qual sou interpelado a pegar no livro que me estiver mais próximo, abri-lo na página 161 e transcrever a 5ª frase completa que nessa página encontrar. O primeiro livro em que peguei não tinha 161 páginas (Ninguém Escreve ao Coronel, de Gabriel García Márquez), e o segundo livro que me estava mais à mão era o que está na minha mesa de cabeceira, que é, aliás, como em quase todo o meu quarto, um livro de poesia, no caso, como o último poema que aqui coloquei indica, a Antologia Poética, de António Ramos Rosa. Não sabendo se um livro de poesia conta, mas mantendo o espírito de "pegar no primeiro livro que te aparecer", vou escrever a primeira quinta frase completa (portanto, presumo que aquilo que considerar a 5ª frase completa, já que a falta de pontuação torna difícil distinguir onde começam e acabam as frases nestes poemas) do que encontrar na página 161 do livro.

Imitação processual tirada do blog da Joana:

- Agarrar o livro mais próximo: Ninguém Escreve ao Coronel, de Gabriel García Márquez (menos de 161 páginas) - Antologia Poética, de António Ramos Rosa.

- Abri-lo na página 161: segunda página do poema Daqui deste deserto em que persisto, retirado do livro A Nuvem Sobre a Página, de 1978.

- Procurar a 5ª frase completa:

«Pus de parte as palavras gloriosas/na esperança de encontrar um dia/o diadema no abismo»

- Passar a cinco pessoas: João, Sandra, Cláudio, Luís, Mónica

Desejo, sinceramente, o mesmo que já a Joana desejava: boas leituras!

segunda-feira, fevereiro 23, 2009

As Palavras

Adiro a uma nova terra adiro a um novo corpo
É um corpo que se tornou palavra
Segue-se a narrativa das transições:
as palavras identificam-se com o asfalto
o tropel das nuvens
a espessura azul das árvores acesas pelos faróis
o rumor verde

As palavras saem de uma ferida exangue
de teclas de metal fresco
de caminhos e sombras
da vertigem de ser só um deserto
de armas de gume branco

Há palavras carregadas de noite e de ombros surdos
e há palavras como giestas vivas

Matrizes primordiais matéria habitada
forma indizível num rectângulo de argila
quem alimenta este silêncio senão o gosto de
colocar pedra sobre pedra até à oblíqua exactidão?

As palavras vêm de lugares fragmentários
de uma disseminação de iniciais
de magmas respiradas
de odor de gérmen de olhos

As palavras podem formar uma escrita nativa
de corpos claros

Que são as palavras? Imprecisas armas
em praias concêntricas
torres de sílex e de cal
aves insólitas

As palavras são travessias brancas faces
giratórias
elas permitem a ascensão das formas
elevam-se estrato após estrato
ou voam em diagonal
até à culpa diáfana

As palavras são por vezes um clarão no dia calcinado

Que enfrentam as palavras? O espelho
da noite a sua impossível
elipse
Saem da noite despedaçadas feridas
e são a minúscula luz das frestas
entre as pedras piramidais

António Ramos Rosa, in Gravitações, Lisboa, Litexa, 1983

sexta-feira, fevereiro 20, 2009

Coraline!!!

Após umas semanas de angústia, a pensar se de facto o Coraline ia acompanhar a estreia nacional aqui nas Caldas, e aparecer na sala dia 19 de Fevereiro (ontem), lá descobri que tal coisa ia suceder mesmo, e acabei por ir ver o filme com amigos (muito boa companhia, aliás) na sessão das 23:30. Não me apetece estar a perder muito tempo com explicações, com descrições, enfim, com ninharias que descreveriam o tempo que demorou até à entrada na sala, o café, que ainda fomos tomar à Praça 5 de Outubro, no Déjà vu, a pipocada, etc., portanto, digo só que o filme superou toda e qualquer expectativa que pudesse ter acerca dele. É uma experência espectacular, e em 3D, ainda mais.
Acho, no entanto, um bocado ridículo que a classificação etária restrinja o filme só a crianças dos 4 anos para baixo... porque não imagino que um miúdo de 5 ou 6 anos consiga ver o filme sem se assustar nalgumas partes e, sobretudo, não me parece que compreendessem grande parte da história (embora a versão que aqui esteja seja a versão dobrada em português, o que facilita pelo menos à compreensão do diálogo, embora levante outros problemas aos quais ligo bastante, nomeadamente a sincronização labial que os animadores têm tanto trabalho a fazer, para depois vir alguém que se mete a falar uma língua dessincronizada por cima, para além de que as vozes das dobragens parecem-me sempre ficar aquém das originais).
Aconselho vivamente o filme a qualquer pessoa, e informo que, destes filmes do circuito comercial, que tenho visto, é, não só o melhor filme que vi este ano, como um dos melhores que já vi nos últimos tempos. Não se deixem enganar pela aparência da coisa, que garantidamente não se trata de "bonecada para os miúdos". É uma experiência visual fantástica, ainda para mais se tivermos em conta que só foram usadas técnicas manuais, com nenhum auxílio a computadores, nem nada disso. E tudo o que eu pudesse dizer ia sempre ficar aquém de um dos melhores filmes que passou pelo cinema num tempo recente, portanto, comprem um bilhete para uma sala que fique perto, e tratem de ir ver o filme.

segunda-feira, fevereiro 16, 2009

Eu quero ir ver, e felizmente vem ao CCC!!!



A Valsa com Bashir, de Ari Folman, o primeiro "documentário animado" e, no fundo, um excelente filme de animação, pronto.

Se fosse possível, isto é para a Luísa (que sabe quem é, mesmo que todos os outros a confundam)


Tindersticks - Until the Morning Comes

uma boleia

Não me sinto nada inferior a uma pessoa com um doutoramento que se vire para mim e me pergunte:

"percebesteS?"

quarta-feira, fevereiro 11, 2009

Grinderman - No Pussy Blues




Sim. É o Nick Cave. E alguns Bad Seeds. Só por isso já valia a pena. Mas é uma coisa diferente, que vale por si só. Acreditem.

YEAH! I'm so politically hip-hop-funky today!


Blues Explosion* - Hot Gossip

* - anteriormente conhecidos como The Jon Spencer Blues Explosion (pré-2004).

terça-feira, fevereiro 10, 2009

"His name was Jason... and today is his birthday."



Sim. Eu gosto de um bom filmezinho de terror tradicional, de vez em quando. E, desta vez, o último capítulo da minha "saga" de filmes slasher de terror preferida: Sexta-feira 13. É verdade que é um remake do original, e tal, e parece que Hollywood anda a apostar demasiado em remakes de filmes de terror de série B (muitos deles, meus eternos favoritos, como The Texas Chainsaw Massacre, Halloween, entretanto vão fazer também do A Nightmare On Elm Street e do John Carpenter's The Thing), mas um remake, por inferior, que seja, em relação ao original, se tem o Jason Voorhees, ou, melhor, se tem o Jason E a Pamela Voorhees, eu quero ir ver.
E, com isto, continuo sem vontadinha nenhuma de ir ver os caríssimos nomeados Milk e Slumdog Millionaire. Que, apesar de tudo, ainda eram os únicos dois nomeados que me puxavam (arrisquei ver o Benjamin Button e o resultado foi o que se viu... cf. post anterior).

N.B.: Para sermos totalmente honestos, este Friday the 13th não é um remake per se, é uma outra coisa, que está também muito em voga por Hollywood hoje em dia, que são os reboots, isto é, reinícios de séries cujas premissas antigas são vistas como "gastas", para o que é hoje padrão e, em última análise, pedido pelos consumidores, ou, então, um "re-imaginar" do filme por um realizador que, querendo pegar na série, quer, no entanto, começar de novo à sua maneira e ao seu estilo, usando pouco mais que as personagens oficiais e alguma inspiração a nível de enredo (o primeiro filme que me recordo de ter feito isto foi o Batman Begins, que veio revitalizar a história do Batman no cinema, depois dos dois horríveis filmes realizados pelo Joel Schumacher, Batman Forever e Batman & Robin). Ainda assim, quero ver o filme. Vi o Freddy vs. Jason (outra coisa que parece estar em altas, cruzar personagens de filmes diferentes num filme só, vide Alien vs. Predator), com o Freddy Krueger do Pesadelo em Elm Street e o Jason Voorhees do Sexta-feira 13, e gostei, mesmo tendo tido a perfeita noção de que o filme, não sendo mauzinho, também não é sequer bom, portanto, corro, sem dúvida, o risco, com este remake/reboot/seja-lá-o-que-for.

quinta-feira, fevereiro 05, 2009

Afinal, também quero ir ver:




para além do Coraline, o Watchmen, porque, francamente, é baseado naquela que será quase de certeza a melhor banda desenhada de sempre, e porque me parece uma adaptação fidelíssima à "novela gráfica". Para os mais desatentos: Watchmen não é uma "história de heróis. É mais do que isso. Portanto, aconselho a que comprem a BD ou, pelo menos, que vão ver o filme, para que entendam. Quando muito, Watchmen será uma história de anti-heróis... mas é que mesmo essa definição seria redutora. Ou talvez não, se se ligar a esse tipo de filmes. Verdade seja dita, este terá o seu "quê" de filme de heróis. A ser como a BD, pelo menos. Mas era tão bom que se visse para além disso... porque a BD (e arrisco-me a dizer que também o filme) vai para além disso. Mesmo que o filme não esteja nomeado para nenhum Oscar. Que não seja um Milk nem um Slumdog Millionaire que, esses, sim, me cansam, de tão exageradamente publicitados para o valor real que têm.

P.S.: E o Estranho Caso de Benjamin Button decepcionou-me a vários níveis. Por esperar mais do realizador e por esperar mais da adaptação de um dos contos mais geniais que já li. Adaptação, aliás, que não vai buscar nada mais, ao conto, que os nomes das personagens, o que é lamentável, porque transformaram uma reflexão sobre o tempo e a idade num romance pejado de moralismos fáceis à lá Forrest Gump e de humorzinho de ocasião, aliados a uma forma de contar a história que só me fez lembrar o Big Fish, do Tim Burton, o filme todo. O que seria bom, se fosse um filme do Tim Burton. Sem os moralismozinhos. Basicamente, David Fincher vendeu-se para dar uma imagem mais amiga da família, e o argumentista transformou um conto de F. Scott Fitzgerald num romancezito do Nicholas Sparks.

domingo, fevereiro 01, 2009

excertos, citações, falta de vida própria:


Tom Waits* - Crossroads

"- isso, Norah Jones, ou lá o que é, nem sequer é jazz.
- é as coisas comerciais, pá!
- coisas comerciais como o quê?
- comerciais... tipo o Pingo Doce e o Feira Nova e... e isso. E o capitalismo."
"- eu hoje já não bebo mais nada, que estou com carro.
- estás com carro mas não vais a conduzir.
- ya, mas o carro é meu, não é?"
"- ih, c'a frio! C'a friiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiio, pá!"
"- aquilo ali fora era o Ferro, não era?
- não sei... mas o gajo viu-nos? Se calhar, para a próxima, temos de arranjar um lugar longe da janela.
- não sei se o gajo nos viu. Mas era ele? Ia no carro do Zé das Águas?"

* Tom Waits é sempre grande amigo e compincha de noites de grande beberagem. Particularmente se o álbum em questão também inclui letras e participação verbal de William S. Burroughs. Que é o caso: álbum - The Black Rider.

sábado, janeiro 31, 2009

Às vezes... apetece tanto.


Fantômas - Vendetta

quarta-feira, janeiro 28, 2009

Sparklehorse - King of Nails



Aparentemente, diz-se por aí que sou parecido com o Mark Linkous... mas eu acho que é só por causa dos óculos e da barba... vide:




Nada a ver. As far as I'm concerned.

:::the old movies

were best, the French F. Legion
every man with a bitch and the Arabs charging down
on white parade ponies, and the Sarge't holding the
fort by propping up dead men until re'forcements arriv'l.
And the ones with the boys flying around in the Spads
full of wire and one plat. blonde who seemed to symbolize
everything. Maybe it was just because I was a kid
or maybe it isn't the same any more. All the angles,
the cautious patriots, the air-raid wardens, cigarettes
for sex, and even the enemy seeming to play a game.
Or the time they found the Jap nurse in the shell-hole
who had been hit in the breast and wanted some sulfa
and one of the boys said, "Hey, you think we can fuck
her before she dies?"

Charles Bukowski, in The Days Run Away Like Wild Horses Over The Hills, Ecco/HarperCollins, 1969

terça-feira, janeiro 27, 2009

Electrelane - Blue Straggler



Acreditem em mim: este é o melhor videoclip de sempre. Garanto.

domingo, janeiro 25, 2009

Até agora...



... de tudo o que tenho visto, em termos de apresentações de futuros filmes, este é o único que me interessa REALMENTE ir ver. Desculpem-me os filmes secantes e independentes europeus. Site do filme aqui. Parece-me que é desta que teremos uma "sequela" espiritual do The Nightmare Before Christmas, depois da tentativa algo falhada do Tim Burton, com o The Corpse Bride...

meio para a Sandra, que só vai lendo Bukowski aqui, aparentemente:

beds, toilets, you and
me -

think of the beds
used again and again
to fuck in
to die in.

in this land
some of us fuck more than
we die
but most of us die
better than we
fuck,
and we die
piece by piece too -
in parks
eating ice cream, or
in igloos
of dementia,
or on straw mats
or upon disembarked
loves
or
or.

:beds beds beds
:toilets toilets toilets

the human sewage system
is the world's greatest
invention.

and you invented me
and I invented you
and that's why we don't
get along
on this bed
any longer.
you were the world's
greatest invention
until you
flushed me
away.

now it's your turn
to wait for the touch
of the handle.
somebody will do it
to you,
bitch,
and if they don't
you will -
mixed with your own
green or yellow or white
or blue
or lavender
goodbye.

Charles Bukowski, in Love Is A Dog From Hell, Ecco/HarperCollins, 1977

quinta-feira, janeiro 22, 2009

Pós-Sügisball


Acontece, e aqueles que seguem relativamente este blog sabem-no, que nutro um fascínio pelo filme de Veiko/Vejko Öunpuu, Sügisball/Baile de Outono, e que o quis ir ver quando esteve no Centro Cultural e de Congressos das Caldas da Raínha. Acabei por não o ver, porque, segundo informações cedidas na bilheteira, nessa mesma noite, a Atalanta filmes, distribuidora em Portugal do filme tinha, e cito, "perdido a cópia do filme, não havendo outra para substituir". Fiquei desapontado e perdi qualquer esperança de sequer chegar a ver o dito, indo-me distraindo com as outras coisas que por aqui iam passando, nomeadamente filmes do Jim Jarmusch e outros que tais. Que iam chegando, diga-se, tendo delirado com o fabuloso The Tracey Fragments, como já referi anteriormente neste mesmo blog. Mas, reconheço-o, foi ficando sempre aquela coisa de "e agora, o Sügisball? Nunca vou ver? Vou ter de perder meses à procura do filme na net, e sacar uma versão de qualidade duvidosa, para depois perder outros mesmos meses à procura das legendas? E se nem houver para sacar da net, como o Luna Papa? Ah, bolas!", situação que é assaz desagradável. Ora, no mês de Janeiro a coisa afigurava-se má, com uma panóplia de filmes que, francamente, não sendo maus, também não são das coisas que mais me apelam a que vá dispender €2.50 num bilhete (bastante barato, sim, mas, mesmo assim...), até porque os únicos que me puxavam a atenção eram apenas o Entre os Dedos, filme português que deu há uma semana atrás, e Quatro Noites com Anna, que era suposto ter dado esta semana. Fortuitamente, noto, umas três noites antes do anunciado Quatro Noites com Anna, mudarem o poster do filme, trocando-o por um do Baile de Outono, presumindo eu que a trágica notícia da perda da película tinha sido um dramatismo e um exagero por parte da senhora da bilheteira. Contudo, no site oficial do CCC e nos panfletos, continuava a anunciar-se o polaco Quatro Noites com Anna. Nunca seria um risco, para mim, uma vez que pretendia ver os dois, embora preferisse o Sügisball, portanto, lá comprei o bilhete, que dizia, também ele, Quatro Noites com Anna (para além das informações de horário, de fila e número do lugar). Sentei-me, vi as apresentações bastante desinteressantes dos filmes que se seguem (filmes que não me farão gastar qualquer cêntimo, de resto) e, felizmente, o filme que começou a passar era de facto o Sügisball, coisa que reconheci mal dei por uma das personagens principais (a de maior destaque no cartaz do filme) tragando um cigarro com um ruído algo irritante.
Houve criaturas que abandonaram, a contar que fosse o filme de Jerzy Skolimowski, com vociferações que indicavam raiva e frustração, ameaçando pedidos de reembolso e, mais do que isso, de explicação e gratificação por nítidos danos morais. Mas deviam ter ficado. Porque perderam um dos melhores filmes que já vi. Francamente.

P.S.: Um jovem de aspecto demasiado efeminado veio conversar comigo após o visionamento da película, alegando que eu estava deprimido, pois pedia um copo de Cardhu em balão largo e aquecido. Convém explicitar que aprecio whisky. Não foi por estar deprimido após o filme que pedia um copo, muito pelo contrário. Ah, já agora clarifico também que a cena em que o porteiro inconformado com a sua condição desfaz a face do actor/realizador de comédias românticas não me incomodou de forma alguma. Até porque sou um homem com um mau fígado. E uma alma gentil. Que está sozinho à noite. De cuecas. E decoro frases. Dos cartazes.

quarta-feira, janeiro 14, 2009

"O s'tôr é meu!" *


Raining Pleasure - Game Over

Maravilhosas, as coisas que têm de se ouvir nas aulas!!!
(A música não vem a propósito... apeteceu-me, só isso.)

* Stephanie Marques

segunda-feira, janeiro 12, 2009

Filme para hoje (daqui a bocadinho) no CCC:



Hoje é um filme português, ou, nas orgulhosas adjectivações modernas, "tuga", expressão que abomino. E vou ver, confesso, com grande vontade, porque gosto mesmo muito do Filipe Duarte, sobretudo, e sei que a sua carreira vai além do Equador, na TVI. Felizmente, devo acrescentar.

E vou-me despachar, que já falta menos de uma hora.

domingo, janeiro 04, 2009

I'm in a jazzy mood today!


Duke Ellington - I'm Beginning to See The Light

segunda-feira, dezembro 29, 2008

A ser forjada mentalmente

Tenho estado parado demasiado tempo, e não me refiro a empregos, essas coisas só servem para subsistir fisicamente, aparentemente, e não contam, portanto, decidi mexer-me dentro de uma coisa que me interesse, que faça sentido, e tentarei, dê por onde der, criar uma espécie de revista literária, em princípio qualquer coisa trimestral associada à zona onde moro (Litoral Oeste - Caldas da Rainha, Óbidos, Peniche e, enfim, em parte, Alcobaça), mas que, obviamente, poderá evoluir para qualquer coisa mais, sendo, de resto, essa, a intenção.

A verdade é que me tenho envolvido sempre em coisas que não frutificaram por variados motivos, desde os tempos do APRE (Ajuntamento de Pré-Homens Relativamente Escrotos) e do Ossa et Cinera, ambos projectos que não deram em (quase) nada, passando pel'A Caixa e pela Linha Férrea, comunidades que, em certos aspectos, continuam "vivas", não fora o facto de já nenhum de nós, seus participantes, irmos dando azo a essa designação, uma vez que existimos, mas não participamos, e acabando em coisas de minha própria lavra, como o conFusão, blog no qual acaba por acontecer o mesmo que em todos os outros. Está tudo morto e desinteressado, é certo que comecei a ver as pessoas desinteressar-se e não fiz nada, porque não me sinto no "direito" de fazer nada, mas agora entristece-me ver o estado das coisas, é só isso que constato, sem ilacções nem acusações nem nada.

Basicamente, quero perguntar aos visitantes deste blog (partindo do princípio que ainda os há) se estão interessados em contribuir com textos de variada índole e estilo, tornando-se colaboradores deste projecto. O que acontece é que preciso de pessoas disponíveis e interessadas a 100%, pois não quero que aconteça o mesmo que em todos os outros... isto é, pessoas dispostas a trabalhar e a produzir regularmente, a manter contacto, a querer saber e discutir e pensar em conjunto tudo isto, porque a minha ideia não é, de todo, que isto seja uma coisa minha, mas sim uma coisa nossa, acarinhada e acalentada por todos quantos nela quiserem tomar parte.

Podem-me contactar pelo meu e-mail, groze@sapo.pt (não é mail do messenger, é só mesmo para receber correio electrónico), os que me tiverem nas suas listas de contactos do messenger, digam-me qualquer coisa lá, ou, então, deixem um comentário a este texto com alguma forma de contacto para podermos discutir este assunto com mais tempo e clareza.

Desde já, um enorme abraço a todos.

quarta-feira, dezembro 24, 2008

Tempus Fugit

O tempo rodeia-me com as suas florestas,
os seus atalhos, os seus rios de instantes
brancos como as pupilas dos deuses.
Mas empurro-o: como se me obedecesse.
O tempo trata-nos como se fôssemos
animais de carga, casas desabitadas,
rochedos expostos num litoral de inverno.
São visíveis as suas marcas,
e ele obstina-se nesse trabalho como se fosse
uma arte, um exercício de gosto.
Cinzelador de imperfeição, raptor
do presente: quem poderá fugir
às suas mãos? Então, lembro-me de ti.
O verão batia nos toldos, fazia brilhar
as pedras, arrancava a luz aos tampos
das mesas. Ambos, fazíamos com que o tempo
não existisse; e o vento ajudava-nos,
não deixava que se aproximasse,
fazia com que entre nós e ele
batessem as folhas dos arbustos, como
grandes espantalhos verdes. De que serviu,
tudo isso? A tarde avançou por dentro de nós;
não sei onde estás; ouço, de quando em quando,
alguém dizer o teu nome: e não sei
se, hoje, reconheceria o teu rosto,
se me cruzasse contigo nalgum lado. É
o tempo. Como sair da floresta?, pergunto.
Como se houvesse resposta para todas as perguntas.

Nuno Júdice, in A Fonte da Vida, Lisboa, Quetzal, 1997

quarta-feira, dezembro 17, 2008

Próxima sessão de cinema no CCC:



Belleville Rendez-Vous/Les Triplettes de Belleville, um filme de animação para crianças e menos-crianças (mais, até, para menos crianças, a menos que se queira que as benditas criaturinhas fiquem com medo de fazer anos e ter uma festa de aniversário, ou que passem a temer ursos de peluche e balões), depois do documentário desta passada Segunda, O Pesadelo de Darwin, que, pelos vistos, suscitou muita saída a meio. Ah, é verdade... ver documentários está in.

terça-feira, dezembro 16, 2008

O Corpo Espacejado

Perdia-se-lhe o corpo no deserto, que dentro dele aos poucos conquistava um espaço cada vez maior, novos contornos, novas posições, e lhe envolvia os órgãos que, isolados nas areias, adquiriam uma reverberação particular. Ia-se de dia para dia espacejando. As várias partes de que só por abstracção se chegava à noção de um todo começavam a afastar-se umas das outras, de forma que entre elas não tardou que espumejassem as marés e a própria via-láctea principiasse a abrir caminho. A sua carne exercia aliás uma enigmática atracção sobre as estrelas, que em breve conseguiu assimilar, exibindo-as, aos olhos de quem o não soubesse, como luminosas cicatrizes cujo brilho, transmutado em sangue, lentamente se esvaía. Ele mais não era, nessas ocasiões, do que um morrão, nas cinzas do qual, quase imperceptível, se podia no entanto detectar ainda a palpitação das vísceras, que a mais pequena alteração na direcção do vento era capaz de pôr de novo a funcionar. Resolveu então plastificar-se. Principiou pelas extremidades, pelos dedos das mãos e pelos pés, mas passado pouco tempo eram já os pulmões, os intestinos e o coração o que minuciosamente ele embrulhava em celofane, contra o qual as ondas produziam um ruído
aterrador.

Luís Miguel Nava, in O Céu Sob As Entranhas, Porto, Limiar, 1989

segunda-feira, dezembro 15, 2008

Music for Modern Dance


Menomena - Water

São 18 minutos que vos peço para aguentar, vá lá...

I

(...)

Mas:
depois que tudo
depois que tudo recebeu o nome de Luz ou de Noite
quer dizer: depois de teres partido
depois dessa revelação - cicatriz que reabriu
- não vejo nada
A cegueira invadiu-me quero a distorção
quero bater com a cabeça contra o céu
quero estar bêbado como nunca antes estive
quero que as lágrimas se confundam com a chuva
que à minha volta desastres tenham lugar
aviões caiam automóveis batam uns nos outros
em grande velocidade
que se solte o mal por todo o lado
e que à noite todos possam temer
o seu vizinho e o seu próximo.
Quero que o homem olhe suspeitoso para a mulher
e que a ambos os filhos vejam receosos
quero que o passeante de jardim se petrifique de medo
que diante de cada árvore suspeite
um vulto de agressão
que os ladrões e os assassinos saiam
dos lugares em que se escondem
quero que invadam as ruas como pragas
que cada um tema diante do outro
a sua própria sombra
e que na orla da noite todos cheguem a duvidar
até de si mesmos.
Que o meu corpo se faça espasmo
compulsivo grito
quero que isto se saiba:
olha: os pulsos abertos
o sangue que escorre
a boca
os dentes cerrados e que espumam
os olhos que se apertam e só procuram a obscuridade.
Disse:
depois que tudo recebeu o nome de Luz ou de Noite,
- porque assim?

Bernardo Pinto de Almeida, in Depois que Tudo recebeu o nome de Luz ou de Noite, Porto, ASA Editores II, 2002

sexta-feira, dezembro 12, 2008

Nota

Não sei se lamente, se, de certo modo, me congratule com isso, mas quase todos os livros que tenho são editados pela Assírio & Alvim, como é notório através dos poemas e textos vários que tenho vindo a colocar neste blog. Acho que, enfim, em última anáslise, devo à Assírio & Alvim um profundo agradecimento pel'O Livro do Desassossego, pela Obra Breve, da Fiama Hasse Pais Brandão, pelo Mário Cesariny, pelo Tolentino Mendonça, pelo Beckett, sei lá... devo-lhes muitas das melhores coisas que tenho lido.

E lamento apenas os visitantes deste blog que me vêm com frases do género "mas, oh, Pedro, tu tens alguma obsessão com a Assírio & Alvim?" Enquanto eles editarem os autores de qualidade, que editam, sim, tenho.

o artesão

O ar tesão (nato) é o ar do artesão quando em artesanato assim como o sol dado é o ar do soldado quando em ar tesão.

Lit. - «não havia braço são que pudesse romper o tesão da água», Dic. de Marinha, 505. «Correm as águas como sangue», id.

Mário Cesariny, in Manual de Prestidigitação, Lisboa, Assírio & Alvim, 2005 (primeira edição 1981)

Uma coisa a menos para adorar

Já vi matar um homem
é terrível a desolação que um corpo deixa
sobre a terra
uma coisa a menos para adorar
quando tudo se apaga
as paisagens descobrem-se perdidas
irreconciliáveis

entendes por isso o meu pânico
nessas noites em que volto sem razão nenhuma
a correr pelo pontão de madeira
onde um homem foi morto

arranco como os atletas ao som de um disparo seco
mas sou apenas alguém que de noite
grita pela casa

há quem diga
a vida é um pau de fósforo
escasso demais
para o milagre do fogo

hoje estive tão triste
que ardi centenas de fósforos
pela tarde fora
enquanto pensava no homem que vi matar
e de quem não soube nunca nada
nem o nome

José Tolentino Mendonça, in Baldios, A Noite Abre Meus Olhos, Lisboa, Assírio & Alvim, 2006

quinta-feira, dezembro 11, 2008

segunda-feira, dezembro 08, 2008

quarta-feira, dezembro 03, 2008

Para um Amigo


Brainiac - Fucking with the Altimiter

Esta música é para o João (0, icaruh, etc.), por todas as saudades acumuladas. A ver se um destes dias arranjo tempo e dinheiro para te ir visitar. Um Abraço!

terça-feira, dezembro 02, 2008

Uma das muito poucas coisas que gosto nos Radiohead

é o facto de a Paranoid Android fechar um dos melhores animes que já vi, Ergo Proxy:




e, já agora, deixo um episódio, para quem quiser... "perder tempo": aqui. (Clique-se na palavrinha sublinhada, ok? É esse o princípio dos links.)

segunda-feira, dezembro 01, 2008

terça-feira, novembro 25, 2008

Post-Tracey Fragments



Não sei ao certo o que dizer... não percebo de cinematografia, portanto não posso falar desse aspecto... dos planos e dos filtros e dos efeitos. Mas, seja lá como for, vi este filme ontem no CCC e soube-me a (tão) pouco! Delirei com as interpretações (sobretudo a da Ellen Page, notoriamente), com a banda sonora (Broken Social Scene), com a história - mas, acima de tudo, com a maneira diferente de a contar. O filme é espectacular. Mesmo. E eu preciso do dvd, porque gosto demais, para estar a sacar, e porque, sinceramente, ver uma vez... não chega.

P.S.: O excerto que coloquei não invalida que procurem algumas situações diferentes do filme. Tentem ver as partes da consulta com o/a psiquiatra. Só por isso já vale a pena. Mas o que deviam mesmo fazer era ver tudo. Deixo veementemente o conselho.

domingo, novembro 23, 2008

Outra sugestão de cinema:



The Tracey Fragments, de Bruce McDonald, com Ellen Page. Ainda vou ficando feliz com este mês, em termos de cinema, no CCC.

sábado, novembro 22, 2008

sexta-feira, novembro 21, 2008

Suposto grau de leitura de toda uma panóplia de blogs:

exanimatus:
blog readability test

lonely gigolo:
blog readability test

conFusão:
blog readability test

ossa et cinera:
blog readability test

Faz-me Espéce:
blog readability test

Linha Férrea:
blog readability test

Por enquanto, parece-me chegar. Basicamente, todos (ou quase) os blogs em que participo mais ou menos activamente (deixei um ou dois de fora propositadamente). Ah, e fiz realmente questão de copiar e colar o resultado, independentemente de ser tantas vezes igual. Quanto aos critérios, não faço a menor ideia de quais sejam. E não acho que os meus blogs sejam para génios.

Valse Sentimentale (op. 51, nº 6), de Tchaikovsky, tocada no theremin por Clara Rockmore



Sim. Eu aprecio theremin.

N.A.: Não tenho, por hábito, colocar vídeos compostos de música com imagem parada, mas foi o único que consegui arranjar, portanto, desde já, o meu pedido de desculpas.

quarta-feira, novembro 19, 2008

António Lobo Antunes apresenta o seu mais recente livro, "O Arquipélago da Insónia"



Não sei ao certo o que dizer de tudo isto. Com o que concordo, ou do que discordo; não sei até que ponto tudo isto que é dito pelo autor é mesmo a verdade do que sente, ou se são somente palavras que aprendeu a ir dizendo ao longo dos tempos, nos milhares de entrevistas, cafés literários, apresentações de livros, colóquios, seminários, debates e demais exposições de ideias que tem vindo a fazer, ao longo da sua carreira literária. Se concordo com as suas palavras? Sim, em grande parte, sim; demonstram certamente um certo ponto de vista que me é comum. Mas, sobretudo, deleito-me com os seus livros, e creio, tenho a certeza, aliás, que é isso que importa. No documentário que se fez, há tempos, sobre Herberto Helder, na RTP2, alguém dizia que o escritor se quer afastar do mundo para que as pessoas o conheçam pela sua obra, que é o que verdadeiramente é pertinente, e não através da sua pessoa e da sua personalidade e de todas as idiosincracias inerentes a isso. E, pelo menos, a mim, parece-me que António Lobo Antunes vale sozinho pelas suas obras, pelos seus livros, pelas suas cartas, pelas suas crónicas, independentemente do António Lobo Antunes pessoa viva e real e existente. Portanto, obviamente que os visitantes do blog não são obrigados a concordar com o que é dito. Nem sequer obrigados a gostar de ler o autor. Ou de gostar de alguma coisa que tenha sido escrita por ele. Mas saibam, então, que é o meu romancista predilecto. E que gosto de pensar que sei que daqui a muitos anos esta pessoa será referida como o escritor português da nossa época. O que devia ter ganho o Nobel em 98. Mas não ganhou.

(Quanto a essa questão do Nobel, lamento também informar que não gosto de Saramago, quanto mais tento ler e gostar, menos consigo atingir esse intuito. E, sim, há alguma proporcionalidade entre o meu carinho e espanto perante a obra de Lobo Antunes e o meu desencanto e desinteresse pela obra do prezado José Saramago.)

terça-feira, novembro 18, 2008

Fofura last.fmiana




É maravilhoso, o mundo da internet. Ora aí estão as nacionalidades dos artistas que mais ouço, compondo todo um gráfico percentual.

segunda-feira, novembro 17, 2008

Villes

Ce sont des villes! C'est un peuple pour qui se sont montés ces Alleghanys et ces Libans de rêve! Des chalets de cristal et de bois qui se meuvent sur des rails et des poulies invisibles. Les vieux cratères ceints de colosses et de palmiers de cuivre rugissent mélodieusement dans les feux. Des fêtes amoureuses sonnent sur les canaux pendus derrière les chalets. La chasse des carillons crie dans les gorges. Des corporations de chanteurs géants accourent dans des vêtements et des oriflammes éclatants comme la lumière des cimes. Sur les plates-formes au milieu des gouffres les Rolands sonnent leur bravoure. Sur les passerelles de l'abîme et les toits des auberges l'ardeur du ciel pavoise les mâts. L'écroulement des apothéoses rejoint les champs des hauteurs où les centauresses séraphiques évoluent parmi les avalanches. Au-dessus du niveau des plus hautes crêtes, une mer troublée par la naissance éternelle de Vénus, chargée de flottes orphéoniques et de la rumeur des perles et des conques précieuses, - la mer s'assombrit parfois avec des éclats mortels. Sur les versants des moissons de fleurs grandes comme nos armes et nos coupes, mugissent. Des cortèges de Mabs en robes rousses, opalines, montent des ravines. Là-haut, les pieds dans la cascade et les ronces, les cerfs tettent Diane. Les Bacchantes des banlieues sanglotent et la lune brûle et hurle. Vénus entre dans les cavernes des forgerons et des ermites. Des groupes de beffrois chantent les idées des peuples. Des châteaux bâtis en os sort la musique inconnue. Toutes les légendes évoluent et les élans se ruent dans les bourgs. Le paradis des orages s'effondre. Les sauvages dansent sans cesse la fête de la nuit. Et une heure je suis descendu dans le mouvement d'un boulevard de Bagdad où des compagnies ont chanté la joie du travail nouveau, sous une brise épaisse, circulant sans pouvoir éluder les fabuleux fantômes des monts où l'on a dû se retrouver.
Quels bon bras, quelle belle heure me rendront cette région d'où viennent mes sommeils et mes moindres mouviments?


Jean-Arthur Rimbaud, in Iluminações/Uma Cerveja no Inferno (Illuminations/Une Saison En Enfer), Lisboa, Assírio & Alvim, 2007

quinta-feira, novembro 13, 2008

Sepún - láiv.


Spoon - Chicago at Night

terça-feira, novembro 11, 2008

The Hold Steady - Joke About Jamaica



Garanto que esta música, apesar do nome, não é uma piada acerca da Jamaica (por mais que eu gostasse disso, enfim, lá "tenho" que respeitar quem aprecia esse bendito país e sua adjacente cultura, às vezes mais mitificada, que outra coisa, mas, pronto...), nem sequer possui referências. Ah, e em termos musicais também é qualquer coisa um bocadinho... ao lado. Da coisa jamaicana.

segunda-feira, novembro 10, 2008

Emily Bukowski

my grandmother always attended the sunrise
Easter service
and the Rose Bowl
parade.

she also liked to go to the
bench, sit on those benches
facing the sea.

she thought movies were
sinful.

she ate enormous platefuls of
food.

she prayed for me
constantly.

"poor boy: the devil is inside
of you."

she said the devil was
inside her husband
too.

though not divorced
they lived
separately
and had not seen each
other
for 15 years.

she said that hospitals were
nonsense

she never used them
or
the doctors.

at 87
she died one evening
while feeding her
canary.

she liked to
drop the seed
into the cage
while making these
little
bird sounds.

she wasn't very
interesting
but few people
are.

Charles Bukowski in You Get So Alone At Times That It Just Makes Sense, Ecco/Harpercollins, 1986

domingo, novembro 09, 2008

À laia de... coisa... informativa, ou sei lá o quê.

Diz Nuno Lopes, actor e, para todos os efeitos, pessoa, na revista Tabu, suplemento do jornal Sol (que não leio, mas estranhamente tem surgido aqui por casa), e cito: "Acho que sou o único homem de 30 anos que não bebe, não fuma, não se droga e não conduz." Caríssimo Nuno: daqui a cinco anos acho que te posso acompanhar nessa demanda, pelo menos se deixar de beber. Mas também não fumo, não me drogo e não conduzo. Até que ponto é que posso dizer que vivo?

sexta-feira, novembro 07, 2008

Why Did You Leave Me?


...


Larval - Paved With Good Intentions