quinta-feira, abril 08, 2010

quarta-feira, abril 07, 2010

tenho um grandessíssimo prazer quando as pessoas me ignoram só porque lhes disse coisas que, provavelmente, não devia ter dito. *

não sei se o problema é meu, acho que não, sinceramente. há mais do que um problema, decerto... e o meu é só um de muitos. não sou, garantidamente, um belíssimo homem, mas custa-me mesmo ver tanto tipo bastante mais feio e desinteressante com mulheres realmente bonitas. só posso presumir que esses queridos senhores sejam, ou muito bons na cama, ou possuidores de um sentido de humor acima da média. como muitos deles não parecem, de todo, corresponder à opção do sentido de humor, só me resta calcular e inferir que sejam génios do prazer sexual. eu lá vou fazendo as minhas coisas, encantando-me com as minhas pessoas, mesmo que me fujam, tentando evitar-me como à peste ou qualquer epidemia desse género pandémico. e vou continuar a cometer sempre os mesmos erros, até que alguém se deixe encantar também comigo e com estas coisas estúpidas todas, que me compõem. e até estou disposto a insistir com uma ou outra pessoa, que apareça, e me faça crer que, no fundo, até vale a pena um certo trabalho emocional mais árduo.

e até pode ser que tenha sido só hoje. e amanhã uma tal criatura de sonho já se digne a falar comigo e cumprimentar-me com um beijo, em vez do aperto de mão que me facultou no dia corrente.

* - esta frase pretende ser irónica.

sexta-feira, março 26, 2010

pífaro de plástico

se não tivesse tanta vontade estúpida e incontrolável de ter alguém, estava bem era sozinho. porra.

quinta-feira, março 25, 2010

paráfrases anichadas numa coisa que é coisa

Ao menos a Sofia acha-me bonito e, como se isso não bastasse, ainda alega que fico SEXY de blazer. Upa!

segunda-feira, março 22, 2010

coisinha mais ou menos ridícula (ridícula, pronto)

eventualmente não seria nada bom que eu te escrevesse uma carta a dizer que me estou a apaixonar por ti (que é como quem diz estou apaixonado por ti), pois não?

Jump Leads

As the eggbeater spy in the sky flickered overhead, the TV developed a facial tic
Or as it turned out, the protesters had handcuffed themselves to the studio lights.
Muffled off-camera, shouts of No. As I tried to lip-read the talking head
An arms cache came up, magazines laid out like a tray of wedding rings.
The bomb-disposal expert whose face was in shadow for security reasons

Had started very young by taking a torch apart at Christmas to see what made it tick.
Everything went dark. The killers escaped in a red Fiesta according to the sources.
Talking, said the Bishop, is better than killing. Just before the Weather
The victim is his wedding photograph. He's been spattered with confetti.

Ciarán Carson, Belfast Confetti, Wake Forest University Press, Winston-Salem, 1989

quinta-feira, março 18, 2010

Lunchtime

At lunchtime on September 16, 2001,
I squatted on the grass of the riverbank
and looked across at rubber tires
shining here and there on the other side.
If suddenly a stranger
had come up from behind me
and whispered in my ear,
“Today’s May 9, 1961, right?”
I couldn’t have denied it.
The way you do when you finish a meal
without messing your hands,
I felt that day
as if I could fuse easily
with anything, however hard.
Things like the thin body
of a little dog running in circles and sniffing the grass,
a dark-gray cloud skimming the surface of the water,
and even
phrases of poetry I’d yet to read
melted like butter
grew into a creature with no arms or legs
and quietly set about swallowing the earth.
I imagined the scene,
my mouth full
of a rice-ball I’d bought
at the boxed-lunch store across from the station,
the cheapest one of all.


Kiji Kutani, trad. Juliet Winters Carpet, in Day and Night, Yamaguichi, Cidade de Yamaguichi, 2005

sexta-feira, março 12, 2010

revelações num dia em que não me apeteceu ir a Leituras Orientadas mas acabei por ir na mesma

À saída da aula de Literatura Norte-Americana Contemporânea, noto uma coisa preta no chão: era o passe Lisboa Viva Sub-23 de alguém. Viro-o, e, enfim, pertencia a Mafalda Correia. Ora, isto não significa nada, entenda-se, assim, só. Mas Mafalda Correia, constatei-o pela foto, trata-se da criatura semi-élfica por quem nutro, desde o reingresso no curso, um fascínio incrível. E, devido a esse percalço do destino (ou qualquer coisa em que se acredite, já que eu, pelo menos, no destino não creio), não só fiquei a saber o nome da mulher - com as devidas ressalvas, já que o cartão é sub-23 -, como já a abordei para lhe indicar que tinha deixado o mesmo na portaria, nos perdidos e achados.

Life moves in misterious ways.

segunda-feira, março 08, 2010

Mohammed trains for the Beijing Olympics, 2008

In the 69-kilogram-weight class,
the Bulgarian, Boevski, is the world-
record holder. He cannot be beaten.
At least, not by Sawara Mohammed.
Mohammed, at 26, has shoveled cement
longer than he cares to remember. In Arbil,
in Kurdish northern Iraq, he strains hard
to lift the barbell with its heavy plates,
round as the wheels of chariots—then, muscles give
and the wheels bounce in dust before him. No,
he cannot defeat the Bulgarian.

The problem is in lifting weight over distance.
It isn’t a matter of iron, or of will.
Boevski’s records, in Beijing, will go
unnoticed, because Mohammed is training now
to lift the city of Arbil, with its people;
his quadriceps and posterior chain
straining, the muscles tremoring to lift
the Euphrates and Tigris both, mountains
of the north, deserts of the west, Basra,
Karbala, Ramadi, Tikrit, Mosul—
three decades of war and the constant suffering
of millions—this is what Sawara lifts,
and no matter what effort he makes, he will fail
completely, and the people will love him for it.

Brian Turner, Talk The Guns, Alice James Books, Farmington, ME, 2010

domingo, março 07, 2010

e é isto...

Aparente e infelizmente, Mark Linkous, dos Sparklehorse, suicidou-se ontem, dia 6...

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sexta-feira, março 05, 2010

rocambolescas existências

Esta chuva é um fastio de alma, mas ao menos tenho colegas de Cultura Norte-Americana Contemporânea que me deixam boquiaberto quando, ao abrirem o fecho do seu casaco impermeável, deixam à vista um aprazível e abundante par de seios que, de outra forma, passaria despercebido. E acabam por salvar uma aula eventualmente aborrecida.

N.B.: A aula também não teria sido assim tão má... e as protuberâncias mamárias alheias, per se, eram até grandes demais para a minha sensibilidade estética. Mas é que a minha testosterona já se ressente de me encontrar há "demasiado" tempo sem ninguém especial a acompanhar o meu percurso existencial.

quarta-feira, março 03, 2010

uma pertinente questão:

será que o B(ernardo) Fachada lava o cabelo?

segunda-feira, março 01, 2010

em certos dias não há é pachorra

Gostava que as coisas fossem do seguinte modo: eu encontro uma rapariga bonita. Às vezes muito bonita, mas isso não vem ao caso. Acerco-me. Digo-lhe: "és bonita, gosto de ti" e o que devia suceder em seguida era essa pessoa apaixonar-se perdidamente por mim, que dizer qualquer coisa como "és muito bonita" fosse o gatilho de uma paixão avassaladora, que não terminasse nunca, e com direito a conversas sobre James Joyce e Herberto Helder e, obviamente, Boris Vian, noite dentro, com direito a sexo conforme nos apetecesse, a pequenos-almoços em pequenos cafés que só duas ou três pessoas conhecessem, a viagens de autocarro e comboio por esse país fora - porra, por esse mundo fora! E essa pessoa também escrevia e líamo-nos e admirávamo-nos um com o outro, éramos um alimento mútuo que não se esgotava, éramos uma espécie de energia alternativa existencial um para o outro.

Mas, infelizmente, se digo a alguém "és muito bonita", o mais certo é a pessoa assustar-se. Pelo menos há-de estar ocupada com um tipo qualquer que nunca sonhou nada disto para eles os dois, sem sequer a conhecer de lado nenhum.

domingo, fevereiro 21, 2010

fim de noite com western e resident evil 4

estou cansado. gasto. existencialmente e não só.

por isso vou acabar a minha noite a ver Sergio Leone, e depois vou matar hordas de espanhóis virtuais poligonizados, infectados com uma praga insectóide milenar.

sábado, fevereiro 20, 2010

terça-feira, fevereiro 16, 2010

quinta-feira, fevereiro 11, 2010

citações parvas número... olha, que se lixe.

(ainda em torno do sensível tema "Pedro e os sorrisos dos outros")

- que é que achas disto, afinal?
- disto, o quê?
- disto... desta gaja, por exemplo. não é tão bonita?
- não se devia rir.
- credo... as pessoas ficam mais bonitas a sorrir, nem toda a gente tem esse teu ar macambúzio, sabes?
- que se foda. há pessoas que têm sorrisos feios. há gente que não devia rir. nunca.
- és uma merda.
- e tu não és melhor, que só lhe estás a olhar para as mamas.
- e não são boas?!
- a outra, ao lado, tem as mãos bonitas.
- és uma merda.
- pois sou.

segunda-feira, fevereiro 08, 2010

novas crónicas de um recém-fumador #3

Hoje, no meu primeiro dia de regresso às aulas, furtaram-me logo um maço de tabaco e o meu querido isqueiro da Cricket, que já me acompanhava desde o início das minhas actividades enquanto ser que maltrata o seu próprio pulmão. Não dei por nada e pondero se talvez os tenha apenas perdido ou negligenciado em cima de uma mesa, ou algo do género.

N.A.: Lamentavelmente, após ter andado a espalhar falsos testemunhos e acusar anónimos de cometerem roubos, convém esclarecer que, na verdade, o dito conjunto de maço e isqueiro tinha ficado olvidado sobre uma das mesas da esplanada, sendo que, passadas duas horas, quando passo pelo mesmo sítio, ainda os vou encontrar. O maço já inutilizado pela chuva (salvei três cigarros, dos doze ou treze que ainda tinha), e o isqueiro completamente molhado. O isqueiro, assim que seco, retomou a sua funcionalidade normal.

quinta-feira, fevereiro 04, 2010

novas crónicas de um recém-fumador #2

Na minha qualidade de recém-fumador que começou nessa actividade não por pressão social/de pares/seja o que fôr, não por experimentação, não por moda (nos tempos que correm vai sendo tudo, menos uma moda), mas apenas porque uma querida criatura do sexo feminino me deixou, sejamos claros, na merda (e preferindo fumar a cortar-me, lá entrei no mundo maravilhoso do tabagismo), dou-me ao luxo de só fumar o que gosto. Ou seja, vou fumando Lucky Strike e, ocasionalmente, Camel, à falta dos primeiros. Sou muito esquisito e picuinhas com o tabaco, é certo. O SG Ventil não é mau, mas acho demasiado suave, não me sabe a nada, para além de que se consome num instante - como se não bastasse já ser menos um quarto do que um cigarro "normal", a porcaria do papel arde num ápice e, se nos distraímos, só o ar à nossa volta já nos fumou meio cigarro; o Português (Suave, que ainda sou do tempo disso assim) faz-me catarro; o Marlboro sabe mal, pelo menos mal para o que se paga por um maço; o Chesterfield seca-me a língua; o Águia é INTRAGÁVEL; o L&M é ela por ela com o Marlboro, para mim, em termos de sabor; o Davidoff não consigo não achar que é tabaco de fascista, o que, por si só, me faz nem querer experimentar; o Pall Mall, enfim, até pode ser o tabaco preferido do Phillip K. Dick, do Kurt Vonnegut, e assim, tudo gente de que gosto, mas não consigo achar grande piada; e por aí em diante.
Mas o que me irrita mesmo é o tabaco com sabores. Todos estes que disse, por mais que não goste, até tolero (tirando o Davidoff), mas, eh, pá... tabaco de sabores?! Para mim, o tabaco é para saber a tabaco. Se eu quero sentir o sabor do chocolate, compro chocolate. Ou do caramelo, ou de morango, ou seja do que fôr. Deixo até um repto para todas as pessoas que, por esse país fora, andam de Black Devil na boca, espalhando o seu cheiro a chocolate atabacado (que cheira, convenhamos, bastante mal): se querem tanto ter um cigarro na boca que saiba a chocolate, comprem daqueles maços de cigarros de chocolate, para as crianças. Para além de tudo o mais, sai mais barato.