gostava de agradecer a uma pessoa por estar assim na minha vida, sem acabar por expôr nada de mais, sem dizer nomes nem nada dessas coisas. fazê-lo publicamente, onde mais pessoas leiam e saibam que és o melhor do mundo. com toda a lamechice e pinderiquice possíveis.
segunda-feira, junho 14, 2010
domingo, junho 13, 2010
domingo, maio 23, 2010
sábado, maio 15, 2010
Google Earth
The poet’s eye, in fine frenzy rolling,
Doth glance from heaven to earth, from earth to heaven.
Theseus from A Midsummer Night’s Dream (Act V, Scene 1) by William Shakespeare
Doth glance from heaven to earth, from earth to heaven.
Theseus from A Midsummer Night’s Dream (Act V, Scene 1) by William Shakespeare
We started in Africa, the world at our fingertips,
dropped in on your house in Zimbabwe; threading
our way north out of Harare into the suburbs,
magnifying the streets—the forms of things unknown,
till we spotted your mum’s white Mercedes parked
in the driveway; seeming—more strange than true,
the three of us huddled round a monitor in Streatham,
you pointed out the swimming pool and stables.
We whizzed out, looking down on our blue planet,
then like gods—zoomed in towards Ireland—
taking the road west from Cork to Kinsale,
following the Bandon river through Innishannon,
turning off and leapfrogging over farms
to find our home framed in fields of barley;
enlarged the display to see our sycamore’s leaves
waving back. Then with the touch of a button,
we were smack bang in Central London,
tracing our footsteps earlier in the day, walking
the wobbly bridge between St Paul’s and Tate Modern;
the London Eye staring majestically over the Thames.
South through Brixton into Streatham—
one sees more devils than vast hell can hold—
the blank expressions of millions of roofs gazing
squarely up at us, while we made our way down
the avenue, as if we were trying to sneak up
on ourselves; till there we were right outside the door:
the lunatic, the lover and the poet—peeping through
the computer screen like a window to our souls.
Adam Wyeth in Landing Places: Immigrant Poets in Ireland, Dedalus Press, Dublin, 2010
dropped in on your house in Zimbabwe; threading
our way north out of Harare into the suburbs,
magnifying the streets—the forms of things unknown,
till we spotted your mum’s white Mercedes parked
in the driveway; seeming—more strange than true,
the three of us huddled round a monitor in Streatham,
you pointed out the swimming pool and stables.
We whizzed out, looking down on our blue planet,
then like gods—zoomed in towards Ireland—
taking the road west from Cork to Kinsale,
following the Bandon river through Innishannon,
turning off and leapfrogging over farms
to find our home framed in fields of barley;
enlarged the display to see our sycamore’s leaves
waving back. Then with the touch of a button,
we were smack bang in Central London,
tracing our footsteps earlier in the day, walking
the wobbly bridge between St Paul’s and Tate Modern;
the London Eye staring majestically over the Thames.
South through Brixton into Streatham—
one sees more devils than vast hell can hold—
the blank expressions of millions of roofs gazing
squarely up at us, while we made our way down
the avenue, as if we were trying to sneak up
on ourselves; till there we were right outside the door:
the lunatic, the lover and the poet—peeping through
the computer screen like a window to our souls.
Adam Wyeth in Landing Places: Immigrant Poets in Ireland, Dedalus Press, Dublin, 2010
sexta-feira, maio 14, 2010
quinta-feira, maio 13, 2010
Oh as Casas as Casas as Casas
Oh as casas as casas as casas
as casas nascem vivem e morrem
Enquanto vivas distinguem-se umas das outras
distinguem-se designadamente pelo cheiro
variam até de sala pra sala
As casas que eu fazia em pequeno
onde estarei eu hoje em pequeno?
Onde estarei aliás eu dos versos daqui a pouco?
Terei eu casa onde reter tudo isto
ou serei sempre somente esta instabilidade?
As casas essas parecem estáveis
mas são tão frágeis as pobres casas
Oh as casas as casas as casas
mudas testemunhas da vida
elas morrem não só ao ser demolidas
elas morrem com a morte das pessoas
As casas de fora olham-nos pelas janelas
Não sabem nada de casas os construtores
os senhorios os procuradores
Os ricos vivem nos seus palácios
mas a casa dos pobres é todo o mundo
os pobres sim têm o conhecimento das casas
os pobres esses conhecem tudo
Eu amei as casas os recantos das casas
Visitei casas apalpei casas
Só as casas explicam que exista
uma palavra como intimidade
Sem casas não haveria ruas
as ruas onde passamos pelos outros
mas passamos principalmente por nós
Na casa nasci e hei-de morrer
na casa sofri convivi amei
na casa atravessei as estações
respirei – ó vida simples problema de respiração
Oh as casas as casas as casas
Ruy Belo, in Todos os Poemas, Assírio & Alvim, Lisboa, 2000
as casas nascem vivem e morrem
Enquanto vivas distinguem-se umas das outras
distinguem-se designadamente pelo cheiro
variam até de sala pra sala
As casas que eu fazia em pequeno
onde estarei eu hoje em pequeno?
Onde estarei aliás eu dos versos daqui a pouco?
Terei eu casa onde reter tudo isto
ou serei sempre somente esta instabilidade?
As casas essas parecem estáveis
mas são tão frágeis as pobres casas
Oh as casas as casas as casas
mudas testemunhas da vida
elas morrem não só ao ser demolidas
elas morrem com a morte das pessoas
As casas de fora olham-nos pelas janelas
Não sabem nada de casas os construtores
os senhorios os procuradores
Os ricos vivem nos seus palácios
mas a casa dos pobres é todo o mundo
os pobres sim têm o conhecimento das casas
os pobres esses conhecem tudo
Eu amei as casas os recantos das casas
Visitei casas apalpei casas
Só as casas explicam que exista
uma palavra como intimidade
Sem casas não haveria ruas
as ruas onde passamos pelos outros
mas passamos principalmente por nós
Na casa nasci e hei-de morrer
na casa sofri convivi amei
na casa atravessei as estações
respirei – ó vida simples problema de respiração
Oh as casas as casas as casas
Ruy Belo, in Todos os Poemas, Assírio & Alvim, Lisboa, 2000
alguma tristeza e desencanto com isto, que resumirei numa frase aparentemente positiva:
ao menos já não vou mesmo ter de conviver com o Nuno DUMPSTER.
quarta-feira, maio 05, 2010
La femme de trente ans
Amarás
o meu nariz
brilhante
as minhas estrias
os meus pontos pretos
os meus textos
os meus achaques
e as minhas manias
e as minhas gatas
de solteirona
ou não me amarás
Adília Lopes, in Obra, Mariposa Azual, Lisboa, 2000
o meu nariz
brilhante
as minhas estrias
os meus pontos pretos
os meus textos
os meus achaques
e as minhas manias
e as minhas gatas
de solteirona
ou não me amarás
Adília Lopes, in Obra, Mariposa Azual, Lisboa, 2000
segunda-feira, maio 03, 2010
quinta-feira, abril 29, 2010
"faz um post mais animador no blog", com direito a copy-paste.
Manifestação de Vida says:
*eu amo-teee
*nao sei dizer mais nada, desculpa
Manifestação de... Coisa Boa? says:
*dizes-me a melhor coisa do mundo
*e ainda pedes desculpa
*:\
*vou colar esta conversa no blog e fazer um post
*eu amo-teee
*nao sei dizer mais nada, desculpa
Manifestação de... Coisa Boa? says:
*dizes-me a melhor coisa do mundo
*e ainda pedes desculpa
*:\
*vou colar esta conversa no blog e fazer um post
quinta-feira, abril 22, 2010
sábado, abril 17, 2010
notificação:
vou fumar à chuva. que enquanto fumo à chuva não penso noutras coisas. bom, bom, era mesmo morrer afogado.
queria que alguém me amasse hoje à noite. queria mesmo muito chegar ao trinca e trazer alguém para casa, para fodermos. mas a verdade é que não queria mesmo nada disso.
quero uma pessoa só, com toda a lamechice e romantismo piegas possíveis. há uma pessoa que me tem, mesmo que não saiba, não queira saber, não possa saber. e o resto não me importa.
quero uma pessoa só, com toda a lamechice e romantismo piegas possíveis. há uma pessoa que me tem, mesmo que não saiba, não queira saber, não possa saber. e o resto não me importa.
falta de paciência #?
"ai, filho, tens de fazer qualquer coisa em relação a essa barba, que já me vieram dizer que parece que há um bandido ou um vadio a entrar-nos na casa!"
- Dona Maria, natural do Pico, Açores, reformada
sexta-feira, abril 16, 2010
insónia com ridículo pelo meio, se bem que algumas coisas boas, também.
Tenho de aprender um certo respeito por alguém que me diz "não posso", porque não pode, mesmo. E essas coisas não se controlam, mesmo que fossem, não sou cá tipo de controlar seja o que fôr. Tenho, no entanto, um problema com isso, que é o facto de não poder entender esse conceito, uma vez que, desde há demasiado tempo a esta parte, me convenci de que posso tudo o que me apetecer, que devo tudo, que tenho que tudo o que me apetece, tudo o que quero ou nada do que quero. E, convenhamos, se fosse outra pessoa qualquer, e não esta pessoa, eu nem sequer "tinha" de aprender um certo respeito. Era para o lado que eu dormia melhor (usualmente durmo melhor voltado para o lado direito). Hoje, nem melhor, nem pior. Tenho a cabeça e - usando uma imagem que é das poucas que não sinto, quando as digo - o peito cheios de silvados metafóricos e encruzilhadas imagéticas e essas coisas. Já há demasiado tempo que não sentia uma coisa destas por uma pessoa. Disse-lhe coisas tão ridículas, tão impensadas, tão... pindéricas, e, pior ainda, ditas ali, em primeira mão, coisas que, em vinte e seis anos, ninguém mais ouvira antes... escrevi um texto, e tudo...
Quero mesmo muito que isto tudo corra bem e não escondo que o correr bem, do meu ponto de vista, implica coisas que sei serem quase impossíveis.
Quero mesmo muito que isto tudo corra bem e não escondo que o correr bem, do meu ponto de vista, implica coisas que sei serem quase impossíveis.
quinta-feira, abril 15, 2010
. . .
eu já sei mais ou menos que sou uma pessoa confusa e confundida e de vez em quando sem princípios ou pelo menos de vez em quando sem princípios aparentes, mas magoo-me como qualquer outro indivíduo "normal" (vistas bem as coisas, com tanto queixume, até me magoo mais - queixo-me mais, vá!).
eu não me devia encantar tanto, não me podia encantar tanto, mas a verdade é que me estou mais é a cagar para isso. e acabo por me meter em situações bastante estúpidas em que nem sequer consigo ser absolutamente sincero e o meu coração é um animal assustado para aqui a correr entre costelas envelhecidas.
não sei parar-me nisto.
eu não me devia encantar tanto, não me podia encantar tanto, mas a verdade é que me estou mais é a cagar para isso. e acabo por me meter em situações bastante estúpidas em que nem sequer consigo ser absolutamente sincero e o meu coração é um animal assustado para aqui a correr entre costelas envelhecidas.
não sei parar-me nisto.
quarta-feira, abril 14, 2010
ainda a propósito de uma tal albicastrense onírica
Acontece que ter estado em contacto com esta criatura me fez ter vontade de ouvir coisas que não ouvia há uns oito anos, para ser simpático (nomeadamente, essa senhora genial, que é a Nina Simone - e não digo era, porque, nestas coisas da arte, acredito piamente que É). E, enfim, até é possível que a tarde de sexta-feira tenha sido uma coisa demasiado esporádica; esporádica e "cordial" (quase de pena por mim) o suficiente, para nunca mais ter repetição. Mas eu queria mesmo que tivesse repetição, aí está... e, pronto, se entra um início de encanto em cena - que entra, realmente, e pesa, também -, não tira mérito nenhum ao facto de querer mesmo conhecer melhor as pessoas, perceber se afinal é encanto ou é só um sentimento próprio da amizade que poderá vir a existir. Seja lá o que for, tenho mesmo alguma necessidade dessa criatura e custa-me aparecer na faculdade com o pensamento nisso, ficar triste se passa um dia e não a vislumbrei, sequer. Ter cds na mala, para entregar, e tudo, como um menino bonito.
domingo, abril 11, 2010
Mariana, a albicastrense Gémeos
por um lado, ainda bem, por outro, ainda mal, que não tenho o número da Mariana.
porque conheci a Mariana ontem. e a Mariana é bonita. e a Mariana toca violino. e a Mariana gosta de ler. e a Mariana tem um sorriso lindo. e a Mariana gosta de gatos e de cães. e a Mariana é interessante. e a Mariana é bonita.
mas, sobretudo, porque a Mariana é a Mariana. e porque, esta noite, já bebi demais. e queria que a Mariana soubesse isto tudo. e já lhe tinha mandado tantas mensagens a dizer as mesmas coisas, repetidamente, até a Mariana ter medo de mim na segunda-feira.
porque conheci a Mariana ontem. e a Mariana é bonita. e a Mariana toca violino. e a Mariana gosta de ler. e a Mariana tem um sorriso lindo. e a Mariana gosta de gatos e de cães. e a Mariana é interessante. e a Mariana é bonita.
mas, sobretudo, porque a Mariana é a Mariana. e porque, esta noite, já bebi demais. e queria que a Mariana soubesse isto tudo. e já lhe tinha mandado tantas mensagens a dizer as mesmas coisas, repetidamente, até a Mariana ter medo de mim na segunda-feira.
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