segunda-feira, outubro 15, 2007

SIM, É POSSÍVEL DEIXAR!!!


Como deixar o WoW - guia prático

Não consigo, de forma alguma, nutrir qualquer tipo de simpatia por jogos comerciais, mas não tenho nada contra algumas pessoas, que conheço, que os jogam; não me importo, até, de falar disso com eles, durante um período de tempo, caso queiram conversar sobre o tema... mas o WoW (World of Warcraft), esse, simplesmente o abomino, de um ponto de vista até visceral. E, devo dizer, com fundamento para tal. Sei o que isto pode fazer às pessoas (posso parecer alguém que fala de uma droga, ou de um problema - acreditem, é tão ou mais grave do que isso que possa parecer), sei o que pode destruir-lhes as vidas. Perdi bons amigos à conta deste jogo, pessoas que neste momento só vivem para isso, só falam disso, desligam os computadores e tomam cafés e saem e bebem, mas falam como se vivessem sempre ali, não pensam para além do WoW. E quando digo só falam disso, é factual, noites inteiras em torno desse único assunto, de uma forma aparentemente desinteressante, para quem olha para o fenómeno, do lado de fora.
Também eu tive, recentemente, um problema com adição a jogos de vídeo, mas é uma coisa que se consegue superar sem grande dificuldade, como em tudo, se se vir o estado em que aquilo nos deixa, e se se tiver força de vontade; muito por isso falo do mal que estas coisas podem fazer. Continuo a jogar de vez em quando, uma hora, meia hora, quando não tenho nada melhor para fazer, mas recuso-me a deixar a minha vida girar em torno de algo tão mesquinho e inútil, até destruir por completo a minha criatividade e a minha vida social. Sei que as pessoas em questão não virão nunca ver um blog (e muito menos um que os ataque tão explicitamente), duvido que façam mais qualquer coisa, que não seja evoluir personagens 3D virtuais, quando respiram em frente aos monitores.

Mas, se a coisa se tornar drástica, há sempre exemplos do vídeo que mostrei, acima, a mostrar que é possível largar. Tanta merda, com o tabaco, sinceramente, acho que mais preocupante que isso, para os jovens, adolescentes e crianças de hoje, são precisamente os jogos de vídeo, particularmente aqueles que, à imagem do WoW, alienam a pessoa completamente - nem sequer da realidade, no sentido concreto, mas da existência total, com todas as irrealidades e inconcretudes que já em si acarreta.

MAKE LOVE, NOT WAR(CRAFT)

domingo, outubro 14, 2007

it ripples our reflections

Porque este blog cada vez menos serve para alguma coisa e agora parece claramente que apenas serve para ir pondo umas músicas de vez em quando,


Radiohead - Reckoner


Porque eu cada vez menos sirvo para alguma coisa e agora noto-me claramente sozinho, abandonado. E não assumo mais culpa nenhuma. Estou farto de assumir culpas por coisas que só me magoam a mim. Não querem ser meus amigos, tudo bem. Hei-de aprender outra vez, como há uns anos, que não preciso de pessoas para nada. As pessoas não prestam. Estou farto de amigos à distância, apenas, sem que esses tenham sequer alguma culpa nisso. As pessoas que me restam são tão poucas, que assusta apenas pensar nisso. E são, para grande tristeza minha, as que infelizmente estão longe.
Não minto quando afirmo: quero ao meu lado amigos que sejam quase cópias de mim, estou tão farto de pessoas demasiado diferentes, tão cansado de me encantar com pessoas demasiado diferentes, para, no fim, perceber que não valiam a pena, não valiam o esforço, não valiam nada, e de mim merecem apenas uma certa indiferença. Se eu não posso ser o mais na vida de alguém, então, não vale a pena ser nada. Se vamos estar sentados a uma mesa e não sou eu a ter quase a totalidade da atenção, não vale a pena dar também atenção. Se os meus assuntos não interessam, asseguro-vos que os vossos estão instantaneamente liquidados em mim. Vocês são toda a merda de mim. Não vos preciso. Muito obrigado.

Já agora: mood of the day - japanese
(aparentemente, esta foto suscitou comparações fisionómicas entre a minha pessoa e um habitante do arquipélago nipónico, nomeadamente, e cito, "um samurai" - though I still fail to grasp the whole concept of it)

quinta-feira, outubro 04, 2007

(eu não me esqueci de ti)

Para a Carla (vês?):



Little Annie - Freddy and Me

terça-feira, outubro 02, 2007

Nirvana

not much chance,
completely cut loose from
purpose,
he was a young man
riding a bus
through North Carolina
on the way to somewhere
and it began to snow
and the bus stopped
at a little cafe
in the hills
and the passengers
entered.
he sat at the counter
with the others,
he ordered and the
food arived.
the meal was
particularly
good
and the
coffee.
the waitress was
unlike the women
he had
known.
she was unaffected,
there was a natural
humor which came
from her.
the fry cook said
crazy things.
the dishwasher.
in back,
laughed, a good
clean
pleasant
laugh.
the young man watched
the snow through the
windows.
he wanted to stay
in that cafe
forever.
the curious feeling
swam through him
that everything
was
beautiful
there,
that it would always
stay beautiful
there.
then the bus driver
told the passengers
that it was time
to board.
the young man
thought, I'll just sit
here, I'll just stay
here.
but then
he rose and followed
the others into the
bus.
he found his seat
and looked at the cafe
through the bus
window.
then the bus moved
off, down a curve,
downward, out of
the hills.
the young man
looked straight
foreward.
he heard the other
passengers
speaking
of other things,
or they were
reading
or
attempting to
sleep.
they had not
noticed
the
magic.
the young man
put his head to
one side,
closed his
eyes,
pretended to
sleep.
there was nothing
else to do-
just to listen to the
sound of the
engine,
the sound of the
tires
in the
snow.

Charles Bukowski

segunda-feira, outubro 01, 2007

Pai do Céu

Raios partam a educação demasiado extremista seja em que direcção for. E, obviamente, no meu caso específico, refiro-me a uma coisa a que podemos chamar, de um ponto de vista católico, a "educação para a Fé". Não há nada que eu não saiba, da "educação para a Fé". Sei as bases e as teorias, mas nunca vivi nada, concretamente, do que é a . Numa conversa que tive, há uns tempos, acabei por deixar a minha mãe completamente frustrada e zangada, até, só porque disse qualquer coisa do género "nunca senti esse encontro com Cristo, que é suposto sentir". Nunca senti, de facto, e continuo a não sentir. Talvez seja só esta característica minha de contrariar, não o que está fora de mim, mas aquilo de que faço parte. Dá-me muito mais prazer contrariar as pessoas que me rodeiam, o meio que me envolve, do que aquilo que não me diz nada. Embora, sim, eu seja uma pessoa que contrarie tudo, muitas vezes só porque sim.
Passei três anos numa instituição da diocese de Lisboa, o Pré-Seminário, com encontros mensais que eu desejava, por tudo, que passassem rapidamente, para poder ficar mais um mês livre, sem nunca ter tido a coragem de dizer que não queria mais continuar ali. Eventualmente, os formadores lá se aperceberam que eu não tinha perfil para uma coisa daquelas. Demasiado elitista, sei lá, fazia grupos e não saía de dentro deles - não me sentia sequer seguro, fora deles. Demasiado calão e tímido, recusava-me a fazer desporto, fingindo muitas vezes que tinha esquecido o equipamento, ou coisa do género. Estou consciente da minha vertente Amélia, quando toco numa bola, e, francamente, não estava para ouvir os colegas e os formadores a criticarem uma coisa para a qual, simples e evidentemente, não tenho jeito nenhum. E o desporto, coisa para a qual não tenho integralmente falta de jeito, consistia unicamente na prática do futebol, para o qual, esse, sim, não possuo a menor inclinação. Aprendi "bases" e teorias várias da religião cristã/católica, não me é difícil conceber um deus uno e trino, como não me é difícil conceber os deuses antropomórficos (e por demais humanos) da mitologia greco-romana, ou os deuses egípcios ou nórdicos. A mitologia cristã é, em mim, só mais uma mitologia (menos interessante e empolgante, em muitos aspectos, aliás), e interessante apenas nesse mesmo sentido (a mitologia, no seu todo, é das poucas coisas que me apelam verdadeiramente).
Perguntavam-me, há dias, porque continuo a ir à missa todos os Sábados, porque continuo a acolitar e a cantar salmos, e a verdade é que, embora não sinta esse encontro com Cristo, como era suposto que sentisse, embora discorde de muitas tomadas de posição da Igreja, enquanto instituição, embora, em tantos e variados aspectos, não viva nem pense de acordo com a Igreja, com a qual supostamente estou em epiclese e comunhão, sinto-me aceite e útil, e isso é mais do que me sinto em qualquer outra situação ou ocasião. E não deixarei de ir enquanto assim for.
Acredito em deus, no sentido lato, e simplesmente identifico a imagem do Deus da cristandade com essa figura em que acredito. Acredito nos apóstolos, mas acho São Paulo uma "aberração", e sinto que foi por "culpa" dele (ou de quem quer que seja que o tenha "inventado") que a Igreja tomou o rumo que tomou.
Acho ridículas, certas contradições da Igreja. Por um lado, dizem (dizemos, vá...) que Deus nos criou livres, livres para estar n'Ele ou fora d'Ele (pecado), para pensarmos o que quisermos, para vivermos de acordo com os nossos princípios, mas essa mesma livre-vontade é posta em causa quando, por exemplo, e cinjo-me a um exemplo muito concreto, não conseguimos - não conseguimos mesmo, de um ponto de vista quase fisiológico - amar toda a gente, nem sequer os mais próximos, e temos de amar. Porquê? Porque está na Bíblia, porque me mandaram. Um Deus que nos cria livres, por outro lado, tem uma instituição que nos ordena coisas a representá-lo. Que acredita num livro "porque sim", e não se discute o porquê. Um livro que foi compilado dessa forma, porque São Jerónimo queria que fossem lidos e conhecidos apenas certos evangelhos, os que eram mais de acordo com o que o Papa de então achava, e que "calariam" os grupos de cristãos que pensavam de forma diferente, unindo-os todos sob uma suposta Bíblia "oficial" (a Vulgata, ainda hoje texto oficial da Bíblia cristã).
E acho que, enfim, por hoje, por agora, é tudo o que consigo dizer. Talvez pegue nisto daqui a uns tempos, há coisas que tenho a certeza de ainda querer falar, mas não sei como as inserir no texto presente.

sexta-feira, setembro 28, 2007

The Seatbelts - Tank! (live)



Sim, para quem possa estar a calcular, os Seatbelts (dirigidos pela compositora Yoko Kanno) fizeram a banda sonora do anime Cowboy Bebop, da qual esta Tank! (música do genérico inicial, no já referido anime) faz parte.

terça-feira, setembro 25, 2007

"I got life"

Não apenas vida (para a qual não tenho, aparentemente, jeito nenhum), tenho amigos, mesmo que distantes, mesmo que não nos vejamos nem falemos há demasiado - mesmo demasiado - tempo. Por isso, para alguns deles, aqui ficam umas musiquitas janotas que, de uma forma mais ou menos pessoal me lembram deles:

Para o João (little joe, 0, icaruh, you name it...):



The Seatbelts/Yoko Kanno - Bad Dog No Biscuits (nem sei ao certo porquê, enfim...)

Para a Sandra:



Belle Chase Hotel - Derangé (tu sabes porquê)

Para a Joana (Joana Martins Fernandes, minha darlém, conhecida há uns tempos por morgaine e derivados afins):



Pulp - This Is Hardcore (and you sure are hardcore too, damn!)

Para o Maia (ok, este tem estado bem presente, felizmente):



John Coltrane - Mr. P.C. (tinha de ser o nosso Coltrane, pá!)


É possível (e concreto, aliás) que as músicas demorem a carregar, que o servidor é lento e estúpido, e a largura de banda que me é dada é uma coisa muito estranha. Estranha e pouco funcional. Mas, com paciência, tudo vai lá.

quarta-feira, setembro 19, 2007

Cidade dos Desaparecidos

Muitas vezes não amei Lisboa,
não soube amá-la ao anoitecer
dos dias úteis, quando era gasta,
parada e suja, e nos autocarros
quase vazios viajava de luz acesa
a entranhada tristeza do mundo
que foi a minha primeira e mais
precoce intuição. Grande cidade
dos desaparecidos, eu não tive
tantas vezes a saúde de gostar
dos teus pequenos jardins
abandonados. Quando nos cafés
já iam desligando as máquinas
e do outro lado da linha ninguém
voltava jamais a responder
como eu queria, quantas vezes
não pude achar o sítio e o sossego
para esquecer e dormir? Mesmo assim,
eu não te fiz justiça, Lisboa, quando
me queixei de ti: eu não era exemplo,
eu sempre estranhei um pouco a cama
da vida.

Rui Pires Cabral, in Longe da Aldeia (2005)

sexta-feira, setembro 07, 2007

LOL

http://www.myheritage.com


Gosto particularmente da menina. Temos tudo a ver.

terça-feira, setembro 04, 2007

do groze para o Pedro

"Não, eu não fumo, mas, se me arranjares um whiskyzito bom, acompanho-te num excesso de alcoolemia."


The Seatbelts - The Power of Kung Food Remix

segunda-feira, setembro 03, 2007

Para a Ana

(por demasiadas coisas mas, sobretudo, pela paciência)


The Seatbelts - Gotta Knock a Little Harder

segunda-feira, agosto 27, 2007

JP Simões (feat. Luanda Cozetti) - Se Por Acaso (Me Vires Por Aí)


Esqueçam apenas a publicidade final aos "Fornos do Padeiro", e afins... se puder ser.

domingo, agosto 26, 2007

Citações avulsas

i.

- Aquilo é carro de homem.
- Carro de homem? Mas porquê?
- É quadrado e velho demais. E é branco.

ii.

- Então, mas tu vens assim vestido?
- Que tem?
- Eh, pá, ya, ok, é um concerto de jazz...
- Ah... pois... onde é que vais ficar?
- Lá em baixo.
- Hmmm... ok. Eu estou ali em cima.
- Não queres vir para o pé de nós.
- Eh, pá... não.

iii.

- Olha lá, mas tu esquece-la de vez e dás-me um beijo, porra?
- Eu até te posso dar um beijo, se quiseres, mas não sei se a esqueço.
- Então, não sei se, assim, quero...
- Tu é que sabes.

iv.

- Mesas com nomes de escritores... eu estou na do Séneca.
- Logo de onde havia de vir... filho de um talhante!
- Às vezes temos essas surpresas... é do lado de onde menos se espera. Uns, andam em cursos e nem os tiram. Os filhos dos talhantes é que pegam nos escritores. É assim.
- Mas, repara, afinal não é mesas por escritores, é mesas por citações... (LOL) eu estou na mesa com uma citação do Séneca, uma citação provavelmente acerca do amor.
- Ah... pois... mesmo assim -
- Provavelmente foi tirada de um daqueles livrinhos com "dizeres e saberes". (LOL)
- ...
Nunca serei um Luiz Pacheco, que admiro, sou apenas um eu, e até mesmo nisso sou um falhanço. Até mesmo nisso fico aquém de mim mesmo.
Eu tenho uma capacidade prodigiosa: a de me deprimir ainda mais, quando penso que não é possível estar mais na fossa do que já estou.


Nick Cave & The Bad Seeds - Messiah Ward

sábado, agosto 25, 2007

No rescaldo do concerto da Jacinta, em Óbidos


O meu bilhete era o noventa e sete, comprado, por dez euros (nem o mínimo desconto, caramba!), no Posto de Turismo de Óbidos, à irmã da Filipa Cabaços (Joana?), quase uma semana antes do concerto. O estado do tempo, nos dias que antecederam o espectáculo, não deixava prever que fosse estar uma noite tão agradável. Estava, de facto, e a própria Jacinta (que entrou, como seria de esperar, ligeiramente atrasada em palco) o constatou, alegando que o São Pedro estava, com certeza, do seu lado, uma vez que, desde que tinha chegado a Óbidos, dois dias antes, só tinha sido recebida por um vento gélido em toda a parte.
O auditório (no fundo, toda a parte do antigo celeiro da raínha, na Cerca do Castelo) estava relativamente cheio, presumo que não tão cheio como nas noites de ópera, ou nos dias dos outros concertos de verão (Teresa Salgueiro, João Pedro Pais & Mafalda Veiga e Mariza) - presumo, apenas, uma vez que não faço questão de ir aos outros, e a ópera já passou -, mas, de qualquer forma, estava "composto". A maior parte, habitantes locais, pouco habituados a jazz, que aproveitam simplesmente o facto de terem concertos à porta - e tão baratos. Atrás de mim estavam uns pseudo-tios, que, antes do espectáculo, não se calavam com conversas em torno de sapatos e sandálias Fly, sendo que houve mesmo uma altura em que a dita sandália, e respectivo pé, se encontraram lado a lado com a minha bochecha esquerda, dado que a querida donzela pretendia exibir tal peça de calçado a outrém, ao seu lado, e o espaço entre filas era mais que apenas reduzido: era praticamente inexistente. Os joelhos da titia tocavam-me nas costas e o braço da namorada pertencente a um casal alemão, cujo elemento masculino se encontrava sentado à minha frente, passava por cima dos meus próprios joelhos. Também não havia grande espaço para os lados, mas como, de um lado, tinha apenas um amigo meu, com o qual tenho algum à-vontade para o contacto físico e, do outro, mais um factor masculino de um casal, que estava mais entretido com a sua parceira, do que com o concerto em si, sendo que passou todo o tempo em cima dela, o que me dava algum espaço de manobra, para o lado esquerdo. Ficámos de frente para o palco, mas numa bancada onde toda a gente parecia não ser grande apreciadora de jazz - não havia palmas para os solistas, mesmo quando a Jacinta pedia, ninguém cantava com ela, enfim, o típico "espectador-desligado que aproveita tudo sem gostar realmente de nada". Já na bancada do nosso lado esquerdo (onde, não sei porquê, devia ser do magnetismo que vinha dali, ponderei ficar, quando chegámos), estava o público do jazz em peso; alunos da ESAD, frequentadores da semana de jazz do Valado dos Frades, pessoal que conheci de vista, do Trombone, alguns "conhecedores", indubitavelmente pessoas de fora e, em geral, fãs e apreciadores. Olhando para o anfiteatro, conforme se enchia (chegámos muito antes da hora, bebemos ainda uma ginja, antes do concerto, e fomo-nos sentar, sendo que vimos ainda o espaço a encher), concluí que, se bem que Óbidos tem, de facto, o ambiente para o jazz, não bate o jazz tocado, de forma mais intimista, num clube ou num bar, em frente a uma mesa, e não em bancadas.
Fora isso, o céu estava lindo, viam-se todas as estrelas e, quando a Jacinta entrou em palco e começou a cantar as primeiras notas de "Decide Lá" (I'm Beginning to see the Light, do Duke Ellington, adaptado para português), até o pormenor de alguns aviões, no céu, se tornou delicioso. Foi complicado não me mexer mais, não exteriorizar mais, dado que o espaço era pouco e, de todos os lados, parecia haver pouca abertura a demonstrações físicas de musicalidade cá dentro a querer saltar para fora, ainda para mais quando tocaram as versões jazz do Zeca - geniais, todas elas, sobretudo "Foi Coimbra os meus amores" (Oh Coimbra do Mondego) e Tenho um Primo Convexo. O quarteto que a acompanhava era genial, destaco, de entre eles, o baterista e o contrabaixista (é estúpido, ela até fez questão de apresentar os elementos do quarteto por duas vezes, mas não me recordo dos nomes de nenhum... seria a ginja a fazer efeito?), embora o saxofonista tenha tido uns solos muito bons e o pianista, em muitas ocasiões sem Jacinta tenha sido, sem dúvida, a alma do palco. O concerto levou-nos a Bessie Smith, Djavan, Jobim, passando por Porter e Ellington, todos grandes mestres do jazz e do blues, interpretados com a magia e o respeito de uma mulher que se tornou quase música, em cima do palco, vagueando pelos ouvidos e pelas cabeças e - acima de tudo o resto - pelos corações do público. É certo que o mesmo público, habituado talvez às óperas, que têm intervalos, esperava que o concerto durasse mais, sendo que poucos se aperceberam que o fim do concerto era o fim do concerto e não o fim da primeira parte... É certo, também, que não cantou nem acompanhou, nem sequer quando a Jacinta pediu (à excepção da Canção de Embalar, do Zeca Afonso, música em que toda a audiência, mais ou menos, enfim, participou)... mas duvido que alguém não se tenha deixado contagiar por momentos de jazz do mais puro e brilhante que se pode ter a oportunidade de ouvir.
É para repetir. E esperar que a Óbidos Patrimonium, empresa a cargo de quase todos os eventos culturais da vila, tenha percebido que Óbidos tem, seguramente, mercado e espaço para o jazz.

N.A.: Depois de me terem informado, decidi adicionar este apontamento: referi o concerto da Teresa Salgueiro como tendo, presumivelmente, mais gente que o da Jacinta mas, de facto, esqueci-me de informar que a Teresa Salgueiro cancelou/adiou o seu espectáculo, devido ao mau tempo. De qualquer forma, continuo a presumir (sou uma pessoa que presume muito) que estariam mais pessoas nesse concerto, se tivesse decorrido, do que no de ontem.

quarta-feira, agosto 22, 2007

Moete Hero - o verdadeiro sentido por detrás da letra

Todos estes anos pensámos que a letra da música do genérico de Tsubasa: Capitão Falcão (ou apenas "Captain Tsubasa") era japonesa, mas Ion e os Filhos do Vento vieram esclarecer-nos acerca da verdadeira origem do autor deste autêntico poema: sem dúvida um génio luso-nipónico.

O Terror (factualmente)

Armadilhas espalhando o terror por Santarém.

terça-feira, agosto 21, 2007

Porque há quem saiba dizer o que eu penso sobre as coisas quotidianas

XXV

- Por que são a um tal ponto desdenhosos? - perguntou Chloé. - Trabalhar não é coisa assim tão boa...
- Disseram-lhes que é bom - respondeu Colin. - Em geral costuma achar-se que é bom. Mas a verdade é que ninguém pensa assim. Trabalha-se por hábito, justamente para não pensarmos nisso.
- De qualquer forma, é idiota fazer um trabalho que pode ser feito pelas máquinas.
- É preciso construir máquinas - disse Colin. - Quem o fará?
- Oh! Claro! - disse Chloé. - Para fazer um ovo é preciso uma galinha, e uma vez que haja galinha podemos ter uma porção de ovos. Portanto, mais vale começar pela galinha.
- Seria preciso saber o que impede a construção das máquinas - disse Colin. - É, com certeza, falta de tempo. As pessoas perdem tempo a viver, por isso já lhes não sobra nenhum para trabalhar.
- Não será antes o contrário? - disse Chloé.
- Não - disse Colin. - Se tivessem tempo para construir máquinas, depois já não seria preciso fazer mais nada. O que eu quero dizer é que trabalham para viver, em vez de trabalharem para construir máquinas que iriam levá-los a viver sem trabalhar.
- É complicado - concluiu Chloé.
- Não - disse Colin. - É muito simples. A coisa deveria dar-se progressivamente, bem entendido. Mas perde-se tanto tempo a fazer coisas que se gastam...
- Não acreditas que gostassem mais de ficar em casa a dar beijos à mulher, de ir à piscina e a divertimentos?
- Não - disse Colin -, porque não pensam nisso.
- Mas será culpa deles, se pensam que trabalhar é bom?
- Não - disse Colin -, a culpa não é deles. Foi porque lhes disseram: «O trabalho é sagrado, é bom, é belo, é o que acima de tudo conta, e só os que trabalham têm direito a tudo.» Mas sucede que as coisas estão feitas para serem obrigados a trabalhar o tempo todo, e dessa forma não podem aproveitar o facto de terem trabalho.
- Serão afinal estúpidos? - disse Chloé.
- Sim, são estúpidos - disse Colin. - Por isso estão de acordo com quem lhes faz acreditar que o trabalho é o que há de melhor. Isto evita que reflictam e tentem progredir até não trabalhar.
- Falemos de outra coisa - disse Chloé. - São assuntos cansativos. Diz-me se gostas do meu cabelo...
- Já disse...
Sentou-a nos joelhos. Voltava a sentir-se completamente feliz.
- Já disse que gosto muito de ti, a grosso e a retalho.
- Vá lá então a retalho - disse Chloé, abandonando-se nos braços de Colin, meiga como uma serpente.


Boris Vian, A Espuma dos Dias (trad. Aníbal Fernandes)

segunda-feira, agosto 13, 2007

(outra vez) do Pedro para a Lúcia:

É, realmente, a única coisa de ti que me apetece. "'Cause I'm feeling like a motherfucker, baby."

quinta-feira, agosto 02, 2007


Torn & Mia Murano - Flower, Sun & Rain

há tanta coisa que é pretérito
mas que vivo ainda como se fosse
presente.

terça-feira, julho 31, 2007

A propósito de temperatura

Saiba-se que as praias do litoral oeste são um tormento para a genitália masculina, no que à temperatura da água diz respeito. Citando um amigo meu, há uns tempos atrás (há MUITO tempo atrás), quando entrava nas águas da praia do Baleal Sul: "oh, Pedro, eu vou para a toalha, que já não sinto os testículos." E é verídico. Após minutos de diversão aquática numa água que geralmente está minada de limo e algas diversas, torna-se, ou insuportável, ou apenas tolerável caso se fique de molho. Ainda a respeito do limo, isto traz vantagens para pessoas descuidadas, que usam calções/sungas/cuecas de banho/bikinis cujos elásticos não primam pela qualidade, e descaem, deixando entrever a púbis. Quando a minha irmã, jovem criatura, ainda, nessa altura, possuindo cerca de cinco ou seis anos, um dia entrou na água e uma donzela deixou, precisamente, que a parte de baixo do seu bikini exibisse todo o monte de Vénus e respectiva penugem, comentou, rindo imenso: "olha, aquela menina tem uma alga enfiada no bikini!" Portanto, provo a minha teoria. Mas a água, essa, ou, melhor, a temperatura da mesma água, é uma tortura para partes... digamos... mais... sensíveis.

segunda-feira, julho 30, 2007

sábado, julho 28, 2007

Foz do Arelho com amigas

Quem me conhece sabe obviamente que, morando nas Caldas da Raínha/Óbidos/enfim, sempre fui muito pouco apreciador da praia da Foz do Arelho, não sei sequer bem explicar porquê, é daqueles meus preconceitos meio infundados, que vou mantendo mais por teimosia do que por qualquer outra coisa. Não sei se por causa de não gostar da praia em si, se por não gostar do tipo de pessoas que a costuma frequentar, se pelas memórias meio distantes de colónias balneares muito mal passadas, se até pelos velhos piqueniques da turma de nono ano (no lado de lá, é certo, nos Belgas, mas, para mim, é tudo Foz), mas algo em mim repudia a Foz do Arelho, que não seja para um café tomado ao anoitecer, num dos bares da marginal, ou um copo, já à noite, no Trombone, único bar de jazz da zona. No entanto, e apesar de todas estas coisas, ontem lá me decidi a sair de casa e fazer qualquer coisa, para variar, não sei, e arrisquei ir mesmo à Foz, aproveitando uma fortuita boleia que me foi cedida pela minha querida irmã, uma vez que ia ter com amigas à dita praia. E lá seguimos, equipados com protector solar de factor 15, sandálias, fatos de banho, t-shirt, malas com livros e toalhões de praia, leitores de mp3 e toda uma parafernália de adereços, no veículo automóvel do papá.
Há coisas que concluo: primeiro, que não tenho o à-vontade com as pessoas da idade da minha irmã, para manter uma conversa coerente com elas; segundo, que o irmão mais velho não é visto como uma companhia que se quer manter por perto, quando não tem sequer o já referido à-vontade com as amigas; terceiro, que o irmão mais velho está com um corpinho meio decadente, e enquanto não começar a fazer uma dieta rígida ou a ir a um ginásio, é vergonhoso ser-se vista com ele, quando tira a t-shirt; quarto, que é um alívio encontrar, numa toalha, isolada, uma amiga da turma de secundário, que nos aceita e nos acolhe, apesar da barriguinha já não ser a planície de outrora. Há muito senhor que se depila aparentemente numa rotina regular, nas toalhas em redor, de peito lisinho e trabalhado, deitados ao sol de fim de Julho, há famílias bonitas e funcionais, um casal e a filhinha, o indivíduo feminino, parte integrante do casal, a trocar sentidos mas discretos carinhos com o esposo (ou aparente esposo funcional e querido), acariciando-lhe o pescoço, há um cavalheiro todo ele muito vertical, à primeira vista incapaz de movimentos redondos, que lembra uma mistura entre o Mr. Burns, dos Simpsons, o Vítor Espadinha e o Mr. Bean, e que fica demasiado tempo a conversar, de gatas, com o rabiosque voltado, bastante empinado, para o lado onde eu estava deitado. Há um universo fascinante e há até uma jovem colega da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, da Universidade Nova de Lisboa, que me é aprazível visualmente, e que não creio ser desta zona, sendo que grande parte da minha tarde foi passada, intimamente, a indagar sobre a proveniência de tal excelsa criatura.
Fico feliz de ocasionalmente ainda ir encontrando pessoas que importam, que fazem falta na vida, pessoas que me sabem fazer sentir bem de ser como sou, que não me levam a dizer coisas que não me apetece, ou a ser momentaneamente coisas que não sou, e, com o tempo, me deixam até com a confiança requerida para tirar a t-shirt segura, com o nítido olhar reconfortante de "não estás tão mal assim, porra", sentimento que eu próprio reitero, olhando em volta e apercebendo-me de que, afinal, entre os meninos e senhores aprumados, delicados, trabalhados, depilados, há outros cavalheiros em igual ou pior estado de degradação que o meu próprio. Fico sobretudo feliz de poder passar uma tarde a falar de teatro e de literatura e a ler excertos d'A Casa dos Budas Ditosos (que, saiba-se, felizmente, de budista tem pouco ou nada), a falar-se do Nineteen Eighty Four, do Orwell, conversa que levaria inevitavelmente a que se falasse no Animal Farm/O Triunfo dos Porcos e, mais estranhamente, no 2001: A Space Odyssey, do Arthur C. Clarke e do Stanley Kubrick.
Mais tarde chegaria uma outra amiga, por quem já esperávamos, com quatro crianças, e acabámos por passar uma tarde divertida (vá-se lá saber porquê, os miúdos adoram-me, a mim, que sou das coisinhas mais irritantes e antipáticas que por aí andam), a falar de desgostos amorosos com alguma ligeireza, cada um pôde falar muito, com a certeza de ser ouvido, com interesse, por parte de quem quer fosse, e isso é daquelas coisas, numa vida, que se deviam sempre aprender a manter.
Foi um dia que trouxe, como todos, também lembranças menos boas, mas acabei por acompanhar a minha irmã numa viagem de autocarro, de volta às Caldas, a ouvir Gogol Bordello no mp3, enquanto atravessava a paisagem decrépita do interior, com um velho sentado ao lado, a exalar um cheiro a suor e a rebuçados Dr. Bayard, que estupidamente ficava bem com tudo aquilo, e tudo parecia certo e bem, e por dentro, apesar de todas as coisas, eu estava perto de estar muito feliz.

E, já agora, fiquem ao som da minha música de atravessar a província:



Gogol Bordello - Haltura
(para que se veja que não preciso de ir ao FMM de Sines, para descobrir bandas ucranianas que misturam punk com música cigana e tradicional)

sábado, julho 14, 2007

Noite no karaoke

Sentamo-nos ao balcão, não há lugar nas mesas, estão ocupadas por famílias que, pelo menos a mim, me parecem um bocadinho deslocadas, à uma da manhã no bar, rindo muito, ouvindo o casal que canta uma música do Tony Carreira. Pergunto-me se a mulher também está a cantar, só ouço a voz do homem, uma espécie de tenor mal trabalhado e com a voz já bem tocada de muito álcool. Alguém no grupo sentado ao balcão connosco faz um apontamento breve, mas sarcástico, acerca da barriga do senhor, e eu procuro entre os pescoços das pessoas em frente um espaço para ver se consigo vislumbrá-la. Consigo. O homem é de facto gordo. A voz, não sei, já daria para entender isso.
Chamam o Zé Pedro, para cantar uma música dos D'ZRT, a mais conhecida. O Zé Pedro deve ter quatro ou cinco anos e não tem voz que se ouça, conforme canta. A música dos D'ZRT passa, inteira, e, para mim, é apenas instrumental. Ainda bem, penso. Tinha passado bem, sequer, sem a música, de todo.
Um homem, cujo nome me escapa (estaria provavelmente a atentar na fauna juvenil que ali se encontrava ao meu redor), canta em seguida, empenhado e com alguma taxa de sucesso, a "Don't Let The Sun Go Down On Me", do Elton John e do George Michael. Não há grande aderência por parte das pessoas. Não há grande aderência da minha parte. Batem-se palmas no fim. Ouve-se uns "ele mereceu" vagos, ocasionais, entre aplausos.
Sobem ao palco improvisado (e, na verdade, ao mesmo nível do chão do resto do bar) dois miúdos, um com cerca de catorze anos, o outro (irmão?), aparentando ter cerca de oito, nove. Animados, mas muito fora de tom, berram as letras da "Maria", dos Xutos e Pontapés. Viro-me para o balcão, a cabeça a latejar do barulho todo e dos risos de quem não tem qualquer tipo de coragem para substituir um, que seja, dos cantores.
Vejo demasiadas meninas que me olham mas penso "na verdade não me devem estar a ligar nenhuma." Algumas delas são interessantes, de um ponto de vista físico, entenda-se, quanto ao resto não me devo manifestar, seriam conjecturas. É verão e há decotes e seios mais ou menos roliços, mais ou menos bem feitos, há muito senhor de calções e de polo em tons róseos com o crocodilo típico da Lacoste sobre o peito esquerdo - direito do observador. Não garanto na verdade que assim seja - pode ser invertido. Para todos os efeitos, são polos de tons róseos e azul-bebé, da Lacoste. As meninas dos decotes acham mais piada a esses, do que a mim, preso num nicho social entre o emo e o freak e o raio-que-o-parta.
Bebendo o meu Famous Grouse novo (não há dinheiro para mais), penso se algumas dessas designações de tribos urbanas servem de facto para alguma coisa mais, que não seja o controlo mais ou menos velado das revistas pop de adolescentes e jovens sobre os mesmos. Hoje muitos desses adolescentes e jovens cresceram e já não são nem adolescentes nem jovens, mas continuam a acreditar piamente que estão dentro daquele estrato, que pertencem à grande família da tribo urbana a que "escolheram" pertencer. Nada disto importa, acabo o golo de whisky e volto-me para o palco de karaoke novamente.
Entretanto demasiadas miúdas de catorze e quinze anos já cantaram Mafalda Veiga e João Pedro Pais (dos quais gostam, a par de 50 Cent, Limp Bizkit, Korn e Chamillionaire), muito mal cantado, e, penso eu, ainda bem - que nada mais merecem a Mafaldinha e o Johnny-boy, que serem assassinados musicalmente, por (pseudo-)fãs irritantes. Continua a haver raparigas que me olham, só duas me interessam, na verdade, e talvez por isso me convenço que são as que me olham mais, se bem que uma esteja acompanhada por um tipo qualquer. Penso: "deixa-te de coisas... tu, para elas, és uma camisa vermelha e branca, de flanela, de mangas arregaçadas, com uma sweat-shirt cinzenta por baixo, uma pulseira e umas calças castanhas de bombazina. Provavelmente um péssimo cabelo, barba e óculos." E é isso que me sinto. E sobretudo sinto que estou tão perto de andar ao engate em bares e isso assusta-me e por isso escondo tudo atrás de outro golo no Famous Grouse novo.

E entretanto penso: se eu subisse ao palco para cantar "Ma Meeshka Mow Skwoz", dos Mr Bungle, será que a tinham, na base de dados da "máquina de karaoke" (não sei o nome daquilo)? E, a terem, será que haveria letra a passar, para eu acompanhar? Gostava muito de experimentar.

sexta-feira, julho 13, 2007

Nescafé... quem quer? LOL!

Escrevi no meu blog lonely gigolo um texto que versava acerca da "cinematografia", da poesia da televisão como a recordo, quando era uma criança, da televisão que "aquecia a alma", em tudo, e fixei-me particularmente num anúncio, esse, da Nescafé, que segue abaixo, sendo que não quis estar a colocar o vídeo no texto onde seguramente mais falei dele, por achar que o texto em si era muito mais lato, e não o querendo resumir ao dito anúncio (peço desculpa pelo comentário "Mistério Juvenil.com" que se ouve ao início mas, também, reconheçamos e demos-lhes crédito, pois são as únicas pessoas a trabalhar a "nostalgia televisiva - e não só" semi-recente):



Uma delícia.

quarta-feira, julho 11, 2007

Sem título nem vontade

Quem se lembra de mim? Para quem sou o melhor do mundo? Para quem sou o mais especial, acima de todos os outros? Para quem sou especial? Quem me conta coisas quando está mal? Quem recorre de imediato a mim numa situação qualquer? Quantas pessoas se lembram de me telefonar, de me mandar uma mensagem, uma carta de vez em quando? Quantas me lêem e gostam do que escrevo, do que sou, do que faço? Quantas pessoas que me conhecem pensam em vir visitar-me? Será que há pessoas com saudades minhas?

Conheço algumas pessoas que pelo menos às vezes têm razão quando dizem que toda a gente devia morrer.

segunda-feira, julho 09, 2007

Para a minha mãe. Sem urina.

Porque na verdade não falamos, mesmo que eu queira e tu queiras. Porque as coisas não são nunca como queríamos que fossem. Porque me apaixono, sim, muito, mesmo que me desencante sempre na mesma medida em que me apaixono. Às vezes sinto tanto a falta de um colo, de alguém que me ouça e que não seja amiga nem amante nem confidente nem nada - apenas mãe. Sei lá. Estou tão triste.

terça-feira, maio 29, 2007

porque porra te abanas tanto a andar?

não gosto de pessoas fashion demasiado bronzeadas, são pequenas afrontas de verão fora de tempo. frutos estranhos. cabelos lavados esvoaçantes de uma brisa marítima que não existe. coisas deslocadas.

Na rádio

na rádio, o senhor com pilinha pelo menos supostamente envia beijinhos e abraços, mas a senhora com pipi pelo menos supostamente envia apenas beijinhos.

os homens não dão beijinhos a outros homens.

domingo, maio 27, 2007

Blogspot, mais um recadinho:

A apagares este texto também, já lá vão SEIS! Porra... comporta-te, sim?

terça-feira, maio 01, 2007

mais uma teoria?

acho que o que se passa é isto: mais do que sentir, gosto de fazer sentir.

segunda-feira, abril 30, 2007

domingo, abril 29, 2007

nas palavras de outra pessoa qualquer

"O que eu queria hoje era passar a noite de mãos dadas com alguém, enquanto o outro ser me sussurrava coisas bonitas ao ouvido.
O que eu queria hoje era um beijo na boca apaixonado, com direito a levantar um dos pézinhos como é habito.
O que eu queria hoje era que o amanha nunca chegasse."
by Joanne

Há coisas que dizem que me fazem sentir isto: nunca nada na minha vida aconteceu como deveria ter acontecido. Sonhei sempre demais e a realidade nunca vale mesmo a pena. Nunca vale mesmo. E depois penso tantas coisas, imagino-as, queria que acontecessem de tal forma e nunca acontece que aconteçam, ou se acontecem duram pouco e depois ainda há o resto de um dia para viver. Ainda há outras pessoas para além de mim, diferentes, outras, exteriores e existem tanto como eu. E o que é preciso dura pouco. Pouco demais.

Mas ao menos sei que há mais pessoas como eu. Que há mais desesperados de sentimento, que há mais apaixonados de sonhos, que há mais viventes como se a vida fosse um livro ou um filme ou uma peça de teatro. E isso hoje faz-me estar uma espécie de coisa que posso fingir: é felicidade.

sou mais solar hoje

apesar de todos os adultos que me incomodam quando não sabem pedir algo pelo nome, e apontam nos preçários "este aqui", apesar de todos os adultos com a sua vergonha de sentir, com a sua vergonha de viver, apenas argumentando como se vivêssemos num tribunal ou numa apresentação científica constante, apesar da criança saber pedir pelo nome as coisas que os adultos apenas apontam nos preçários com vergonha, hoje não me interessa - tenho amigos, acho que posso dizer assim, que gostam tanto do que escrevo, acompanham-me e dão-me prémios em forma de abraços mesmo que não o saibam. tenho amigas muito bonitas que me dizem "porque não gostas de tirar fotografias? és tão bonito." mesmo que eu não me sinta tão bonito.

por isso hoje sou mais solar do que antes.

às vezes também me apetece... também me apetece e é mais fácil.

de profundis amamus

Ontem às onze
fumaste
um cigarro
encontrei-te
sentado
ficámos para perder
todos os teus eléctricos
os meus
estavam perdidos
por natureza própria

Andámos
dez quilómetros
a pé
ninguém nos viu passar
excepto
claro
os porteiros
é da natureza das coisas
ser-se visto
pelos porteiros

Olha
como só tu sabes olhar
a rua os costumes
O Público
o vinco das tuas calças
está cheio de frio
é há quatro mil pessoas interessadas
nisso

Não faz mal abracem-me
os teus olhos
de extremo a extremo azuis
vai ser assim durante muito tempo
decorrerão muitos séculos antes de nós
mas não te importes
muito
nós só temos a ver
com o presente
perfeito
corsários de olhos de gato intransponível
maravilhados maravilhosos únicos
nem pretérito nem futuro tem
o estranho verbo nosso

Mário Cesariny de Vasconcelos

sexta-feira, abril 27, 2007

segunda-feira, abril 23, 2007

um silêncio entrecortado

que paz é esta que sinto porque te vejo? que sonho de lábios é este, quando não sei o teu sabor? acalmas em mim todas as dores e por isso sinto uma coisa por ti. uma coisa muito bonita. tu és tudo o que eu quero. mesmo que na "verdade" não sejas.

comecei por vir aqui sem esperar que existisses mas agora que te sei quero amar-te, quero ter-te perto de mim...

sábado, abril 21, 2007

quarta-feira, abril 11, 2007

constatações do óbvio numa tarde desocupada

um vilão é uma personagem que as outras personagens odeiam ou que o autor apresenta como necessária e/ou inteiramente má. pelo menos inerentemente má. não creio que na vida real existam pessoas inerentemente más ou inerentemente estúpidas ou inerentemente boas, apenas pessoas que querem ser felizes e fazem o que acham que devem, para o serem. haverá decerto pessoas que procuram a infelicidade e a miséria mas, não será essa ideia, em si mesma, uma ideia de objectivo, de plenitude, de felicidade?
toda a história que se proponha imitar a realidade, transmiti-la, será, pois, falhar e mentir desde essa premissa inicial. um vilão, se - e é geralmente - requerido, é a figura através da qual é impossível transmitir a imagem de uma pessoa que, não sendo "má", acabou por fazer coisas que invariavelmente levaram outras pessoas a não gostarem dela. como desconstruir isto e poder criar, dessa forma, a mimese quase total de uma vida? por outro lado, será isso o objectivo, o plano, o ideal? ou a criação de um universo inexistente, fantástico, outro? nos dias de hoje, bastará a vida real que o jornal e o telejornal mostram? ou não será ela mesma, a vida real do telejornal, um ponto de vista em que existem os heróis e os vilões? todo o relato da verdade e do real é um ponto de vista e, por isso, o real total e absoluto é inexistente.
haverá na realidade, na totalidade absoluta do concreto, bons e maus? o que é a verdade? o que interessa?

terça-feira, abril 03, 2007

Saem-me coisas queridas nos testes de interné. (parte IV)

Your EQ is 120

50 or less: Thanks for answering honestly. Now get yourself a shrink, quick!
51-70: When it comes to understanding human emotions, you'd have better luck understanding Chinese.
71-90: You've got more emotional intelligence than the average frat boy. Barely.
91-110: You're average. It's easy to predict how you'll react to things. But anyone could have guessed that.
111-130: You usually have it going on emotionally, but roadblocks tend to land you on your butt.
131-150: You are remarkable when it comes to relating with others. Only the biggest losers get under your skin.
150+: Two possibilities - you've either out "Dr. Phil-ed" Dr. Phil... or you're a dirty liar.

quarta-feira, março 14, 2007

considerações durante uma tarde sem nada para fazer

perdi uma tarde inteira a espalhar-me por aí.
ninguém vem e todos fogem.
todas fogem.

estás de folga à quarta-feira, nem te apercebes que venho para te ver... és má para o meu coração. és bonita e gosto de olhar para ti quando estás por perto. não é o caso, hoje, por isso estou triste cá dentro.

o que me dói não é tanto a alegria e os sorrisos dos outros, mas sim o tipo de alegria, o género de sorriso.
magoa-me um certo companheirismo idiota, um certo amor.
talvez porque não o entenda de todo e tenha ciúmes. mas dói-me no fundo de mim-mesmo.

não gosto de pessoas idiotas ainda que aparentemente bonitas. não gosto de pessoas.

não gosto de pessoas ocupadas. não gosto de pessoas que não me respondem às mensagens. não gosto de pessoas com muitos amigos. não gosto de pessoas demasiado alegres. não gosto de pessoas demasiado tristes. não gosto de pessoas mentirosas. não gosto de pessoas demasiado simpáticas. não gosto de pessoas demasiado realistas. não gosto de pessoas que não sonham. não gosto de pessoas que acham que tudo é arte. não gosto de pessoas que acham que tudo é literatura. não gosto de pessoas sem carisma. não gosto de pessoas sem originalidade. não gosto de pessoas pseudo-alternativas. não gosto de pessoas que estão na moda. não gosto de pessoas fashion. não gosto de pessoas que falam alto demais. não gosto de pessoas que falam baixo demais. não gosto de pessoas que têm demasiados preconceitos. não gosto de pessoas que alegam não ter preconceitos com o preconceito inerente a essa afirmação. não gosto de pessoas bonitas mas ocas. não gosto de pessoas que não sabem rir das minhas coisas. não gosto de pessoas que não me dão atenção. não gosto de pessoas que são gay porque é cool. não gosto das pessoas que ouvem jazz porque é cool. não gosto das pessoas que fazem isto ou aquilo porque é cool. não gosto das pessoas sem carisma que acham que o que fazem é cool.

eu não gosto de pessoas.

não aprecio quando a Lúcia está de folga.

domingo, fevereiro 11, 2007

Saem-me coisas queridas nos testes de interné. (parte III)




You Are a Pundit Blogger!



Your blog is smart, insightful, and always a quality read.

Truly appreciated by many, surpassed by only a few

Saem-me coisas queridas nos testes de interné. (parte II)




Your Slanguage Profile



New England Slang: 75%



Prison Slang: 75%



Aussie Slang: 50%



British Slang: 50%



Canadian Slang: 25%



Victorian Slang: 25%

Saem-me coisas queridas nos testes de interné.




Your Personality Is Like Heroin



You're capable of the highest highs and the lowest lows.

Addicted to feeling good, you'll do almost anything to avoid pain.

People seek you out, even though you can be quite moody. They're hooked on you!

segunda-feira, julho 31, 2006

Canaã

Quero apenas dizer que estou cansado da guerra. Que não concordo nem consigo concordar com nenhum dos lados. Não há vítimas nem carrascos, embora uns possam ser mais uma coisa que outros. Estou triste. Cansado, até. Apetece-me chorar por todos os homens e mulheres que dão a cara pelos países poderosos e nunca derramam uma lágrima. No fundo, nada disto lhes diz respeito. Não interessa que morram dois ou três inocentes. Mente-se em nome do politicamente correcto. Fingem-se sentimentos. É verdade que ninguém pode ficar alheio às imagens de crianças mortas seguras e transportadas nos braços das equipas de resgate e de civis que se juntam para ajudar. Tudo isto é verdade. Mas a política parece não se compadecer com a fragilidade e com a sensibilidade humanas. Não entendo a política e não a quero. Não gosto da direita e não gosto da esquerda. Não concordo com uns nem com outros, parecem-me tão iguais em tudo e no entanto tão diferentes. Sei-os capazes das mesmas coisas. Das mortes. Dos sacrifícios sempre de uns em prol de não sei bem o quê para os outros. Porque não é possível simplesmente a pluralidade sem mais nada? Porque não é possível uma democracia a sério, sem direitas nem esquerdas, apenas uma coisa quase amorfa mas competente e eficaz, que não preconizasse ideias nem ideais, mas simplesmente cumprisse as suas funções governativas? Não sou a favor dos sacrifícios de ninguém e das coisas que lhes são queridas em favor do bem estar de outros. Creio haver lugar para tudo e para todos, sem ser necessário cortar os braços e as pernas a uns, sejam eles quais forem. Estou farto da política e das guerras. Estou farto das conversas de café, longe dos sítios onde as bombas caem, culpando uns e outros, opinando como se tudo aquilo lhes dissesse tanto respeito, mas, no fundo, falando das coisas sem respeito nenhum, apenas raiva e ódio. Semelhantes em tudo àquilo que recriminam nesses que produzem a guerra, no seu discurso aguerrido.
Estou farto da auto-comiseração de Israel e da sua "tarefa bíblica" de proteger o seu povo segundo as moderníssimas Leis de Talião - olho por olho, dente por dente, embora me pareça mais que seja olho por dente e cabeça por olho. É óbvio que a comunidade internacional lhes reconhece tempos difícieis na altura do Holocausto, mas esses tempos já lá vão, há que seguir em frente, e não entrar em megalomanias de conquista desenfreada de território que não é o seu. Estou farto da ameaça árabe com a qual não concordo. Estou farto, porque concordo com eles e com as suas posições, mas abomino a forma como respondem às agressãoes que lhes são feitas. Dir-me-ão que desconheço a conjuntura política e os detalhes das coisas como realmente são. Será talvez verdade, mas falo por mim, enquanto indíviduo singular, e não enquanto analista político-económico de renome. Todas estas coisas me cansam. O lado de uns e o lado de outros. A haver pressões, a haver resoluções, que as haja para ambos os lados, e não só para um.
Eu não sei mais o que dizer. Queria escrever um texto sobre os bombardeamentos israelitas sobre Canaã e saiu-me um texto completamente diferente, mas deixá-lo-ei como está, sem emendas, sem correcções. No fundo, são as minhas ideias e são as minhas lágrimas e o meu cansaço e o meu desespero e o meu cada vez maior descrédito pela política e pelas ideologias de fanatismo e de patriotismo...

E por aqui me fico.

domingo, julho 02, 2006

Wii não vai ser consola de próxima geração

Satoru Iwata, presidente da Nintendo, deu há tempos uma entrevista em que afirma que a próxima consola que vão fabricar, a Wii (anteriormente conhecida pelo nome de código "Revolution"), "não faz parte das consolas de próxima geração". Iwata diz que, se o que é considerado consola de próxima geração é a PlayStation3 e a XBox 360, então, a Wii não pode ser considerada consola de próxima geração, pois não se trata apenas de "uma versão aumentada da GameCube [a consola da Nintendo da geração actual]".
Claro que este discurso tem sido usado pela concorrência (maioritariamente pelos fanáticos da Sony) para denegrir a Wii e a política da Nintendo em geral, alegando que a Wii não competirá directamente com as outras duas por não ter nem perto das características técnicas que estas têm (ou terão, no caso da PS3, ainda para ser lançada), nem as folhas de características enchem páginas e páginas de números que não interessam ao diabo, como as outras duas fazem. Eu, pessoalmente, discordo. Creio que o que Satoru Iwata queria dizer era que a Wii, se as outras duas consolas são apenas, respectivamente, versões aumentadas das actuais PS2 e XBox, então, que se apresenta completamente diferente em todos os aspectos, não se pode meter no mesmo saco da suposta "próxima geração" de consolas. Pode não ser uma actualização gráfica e técnica/tecnológica, mas é uma actualização a todos os outros níveis pensados e imaginados. E enquanto a PS3 e a XBox 360 oferecerão jogos "de próxima geração" aos jogadores (ou seja, jogos que são os mesmos blockbusters e jogos comerciais sem sentido nenhum, apenas violência à discrição e muito sangue na imagem, que vendem nos dias de hoje, mas com gráficos melhorados), a Wii oferecerá toda uma nova abordagem aos jogos de vídeo, permitindo aos jogadores uma interface fácil e intuitiva, e compensando a falta de características técnicas com jogos criativos e originais e sobretudo um comando que permite uma interacção com os jogos até por aqueles que habitualmente nunca gostaram de jogar jogos de vídeo. Afinal, quem é que não pega num comando de televisão e o abana? Praticamente o comando da Wii (já apelidado de "wii-mote") é isso mesmo: um comando de televisão, à distância, sem fios, que se move com a mão e os resultados se vêem no ecrã. Qualquer um pega no comando e joga. E apelará também aos fãs old school do retro-gaming, permitindo fazer o download legal de títulos lançados para todas as consolas da Nintendo desde há quase 25 anos para cá. Por isso, entenda-se o cinismo e a ironia de Satoru Iwata no seu comentário. Ele não está a denegrir a Wii, embora também não esteja a denegrir nenhuma das outras, também: apenas demarca os diferentes terrenos, as diferentes noções, os diferentes conceitos do que será a verdadeira próxima geração de jogos de vídeo. E, claro, goza um pouco com a expectativa demasiado exagerada em torno da "Super" PlayStation3.
No fundo, entre os 500 a 700 euros de uma PS3 e os cerca de 150-200 euros de uma Wii, a escolha não será muito difícil, tendo em conta que a primeira é apenas uma PS2 com mais poder técnico, e a segunda é toda uma nova abordagem aos jogos de vídeo como os conhecemos.

(este artigo, não tendo qualquer tipo de interesse, fica aqui porque quero acabar de uma vez por todas com as discussões estúpidas dos artigos abaixo e, não me sentindo no direito de apagar o que as pessoas disseram, mas também não querendo eliminar os artigos e não tendo, ainda, nada de mais interessante para escrever, vai um artigo sobre a única coisa que no desterro das aulas ainda consigo ir sabendo)

quinta-feira, junho 29, 2006

ipsis verbis

"Eu quero é que os portugueses se fodam."

João César Monteiro, um "pateta" que fazia cinema. Bom cinema.

Neste momento, e depois de tão acesa discussão no meu post anterior, apetece-me muito citar César Monteiro.

terça-feira, junho 20, 2006

O orgulho nacional, as bandeirinhas à janela, energia positiva, caramba!!!

Digo-o, atento a quantas vozes e quanta gente me cairá em cima, mas digo-o consciente de estar a falar uma coisa que para mim é verdade: a nossa selecção nacional de futebol de onze é, no máximo dos máximos, média/boa. Não está ao nível das melhores do mundo. Sim, com sorte, a bola é redonda, e tal, como um jovem iraniano disse, na televisão, alegando a hipótese que havia de eles próprios (Irão) vencerem a competição, poderíamos ganhar o campeonato do mundo, a decorrer neste momento, e até não sei quando, na Alemanha, essa grande nação. E quando digo "grande nação" não sei se estou a ser irónico ou não. Entendam como quiserem. Todo o meu bom Portugal, afundado na crise económico-social em que se instalou, na confusão da aplicação de Bolonha às universidades, na revolta do encerramento da Opel da Azambuja e consequente partida da manufacura do Combo para a Rússia, essa grande nação (cf. supra), no sentimento de tristeza e revolta pela perda das maçãs e pêras de Alcobaça, derivado do facto de ter caído granizo, da tristeza e revolta pela perda das uvas de mais de dois mil produtores vitivinícolas da região do Douro, derivado do facto de ter caído granizo, revoltado ainda com o processo interminável da Casa Pia de Lisboa e da pedofilia em geral, os assassinatos da Joana e da Vanessa, a violência nas escolas, o reforçar das facções cada vez mais emergentes e mais factuais da extrema-direita nacionalista, a subida de preços em praticamente tudo, as maternidades a fechar e os utentes (mais as utentes) a terem que ser transportados para maternidades bastante longe da sua área de residência, entre tantas coisas que entretanto sucedem por esse país fora, está, contudo, feliz e radiante, de carinha laroca pintada de verde e vermelho, tantas vezes com a discreta mas presente pequena faixa amarela atravessando o rosto a meio, precisamente cobrindo testa, cana do nariz e queixo, umas vezes mais direitinha do que outras. As meninas lá se juntaram no Estádio Nacional, com a Floribella e mais uma série de famosas recentemente brotando do chão da fama, e, em conjunto, formaram a "mais bonita bandeira do mundo". Tinham gabardines vermelhas e verdes, meu deus! Pareciam o capuchinho vermelho, mas numa parafernália de cores (parece que havia também o pormenor da esfera armilar e do escudo, portanto, teria que haver, no mínimo, vermelho, verde, amarelo, azul e branco). Alguém reparou no ar de enfado das mulheres fotografadas de perto? A bandeira mais linda do mundo é uma bandeira horrível, com uma péssima conjugação de cores, demasiado popular e populista para o gosto geral. Tirando, lá está, daqueles que crêem ser esta a bandeira mais bonita do mundo, pelo menos quando composta por mulheres, as quais, vá lá, se bem que nem todas bonitas, pelo menos grande parte delas escapava, para a maior parte dos homens portugueses. Isto, ainda assim, por mais ridículo que seja, é praticamente irrelevante. Prova apenas que somos óptimos a fazer coisas absurdas para termos uma entrada no livro dos recordes do Guiness, ao lado do homem que dá mais peidos por minuto, ou da donzela que tem mais pêlo no corpo.
Os portugueses acreditam mais que tudo nesta selecção. Que nem sequer é aquilo a que os entendidos chamam de "geração de ouro", ou coisa que o valha. A nossa selecção não irá longe neste mundial. É uma selecção inconstante e inconsistente demais, embora tenhamos o Cristiano Ronaldo e consequente delírio de jovenzinhas que não entendem nada de futebol ou de desporto em geral, mas simplesmente apreciam o peitoril demasiadas vezes visível desse garanhão madeirense, que felizmente conseguiu fugir da pérola do Atlântico e da provável prostituição masculina que, na qualidade de rapazola com poucas condições financeiras, que era, teria que suportar. Quem diz o peitoril, diz as pernaças ou até os belos glúteos, se bem que estes últimos, felizmente, não são tão visíveis como o tórax e a pernoca. A nossa selecção nem sequer é falada na imprensa estrangeira, pelo menos não tanto como a nossa imprensa nacional quer fazer parecer. E independentemente das rap'zadas da Galp, em que uma série de nomes conhecidos (ou nem tanto) dessa maravilha (isto, sim, era muitoirónico) que é o hip-hop nacional gritam que querem mais, sempre mais, muito mais, tudo isto sempre com luvinhas cor-de-laranja nas mãos, provavelmente com palavras de apoio dirigidas à selecção pelos hip-hoppers em questão, pelos portugueses, em geral, e através da PetroGal e da Galp, em particular, a nossa selecção não pode dar mais do que as inconstâncias do costume. A verdade é que os jogadores da selecção não se podiam estar mais a lixar para se ganham ou não. Importam-se com o que ganham, sim, mas duvido que se importem com o facto de ganharem, ou não. Se chegarem praticamente ao fim e perderem (coisa que espero que não aconteça - eu nem sequer espero que cheguem ao fim), garanto-vos, caríssimos amigos, que não veremos nenhuma equipa do Mundial de 66, com o Eusébio à cabeça, chorando, desolado, cara da desilusão nacional de uma selecção que não se esperava que sequer chegasse tão longe. Desta selecção, espera-se tudo, mas de uma forma doentia, que faz com que se esqueça tudo, desde que haja felicidade e camaradagem e alguns apalpões no rabo ocasionais, alguns beijos na boca entre homens geralmente heterossexuais, e coisas agradáveis deste género. É como se nada mais importasse. Claro que é positivo que haja diversão, que haja alegria, mas não é nada positivo que isso nos faça esquecer o resto. E, ainda por cima quando, no fim de tudo, não teremos, quase o posso garantir, nenhum "sonho na mão". Simplesmente voltarão para casa, tendo chegado aos oitavos ou aos quartos-de-final, no máximo, e o povo português só então reconhecerá que, afinal de contas, a nossa selecção nacional, apesar de alguma euforia cega, é meramente mediana, longe do bom ou do excepcional, que se pede a esse tipo de equipa. E o que é que isto tem de mal? E porque é que sou tão rígido com a euforia em torno da selecção nacional de futebol? Por uma razão que me parece simples: porque há literalmente muitas coisas geniais no nosso país, coisas pelas quais somos reconhecidos como excepcionais, além-fronteiras, e a essas coisas ninguém dá valor. Refiro-me, particularmente, à Arte e à Literatura, áreas nas quais somos brilhantes, geniais, e sempre o fomos desde que praticamente somos Portugal, essa bela nação (cf. Alemanha e Rússia). Até nisto se vê que o futebol, em geral, desperta certo tipo de sentimentos mais epidérmicos, logo, aparentemente mais sentidos, se bem que apenas superficiais. Recordo a morte do Féher, em campo, em directo, e do choque dos portugueses, por ser uma figura do futebol, mesmo que até nem jogasse nada de especial, sim, está certo, merece-nos respeito, merece-nos saudade e comoção, mas isso também nos merecem Álvaro Cunhal, Sophia de Melo Breyner, Eugénio de Andrade, só para referir alguns dos que infelizmente morreram no passado recente e tiveram meras honras de óbito nas revistas de actualidades, um cantinho num telejornal ou outro, e, felizmente, uma reportagem que apenas quatro ou cinco pessoas terão visto na 2:, o único canal que vale a pena ter sintonizado, apesar de tudo, nas televisões nacionais. Sejamos sinceros: somos o país do Bocage, do Garrett, do Cesário, do Antero, do Almada, do Sá Carneiro, do Santa-Rita, somos o Portugal do Castelo Branco e do Aquilino Ribeiro e do Torga e da Sophia e da Agustina, o país do Eugénio de Andrade e do Saramago e do Lobo Antunes, do Camões e do Pessoa. Mas isso não interessa, enquanto houver Mourinhos e Cristianos Ronaldos e Figos e Petits e Simões e Maniches e Meiras e Ricardos a marcar penalties para euforia geral do meu povinho, fazendo rezas cegas em frente à televisão, com os dedinhos adiposos sujos de gordura de sardinha.

Quando Portugal perder e voltar, talvez fosse bom parar e pensar um bocado nas coisas. E dar valor àquilo em que somos francamente bons. Nem que sejam os jogos paralímpicos. Ao menos os nossos deficientes são os melhores do mundo.

quarta-feira, junho 07, 2006

Mamã, aquele senhor espetou uma coisa colorida no Mumu!

A primeira palavra que queria incluir neste artigo é "aberração". Estava eu no meu caminho para Lisboa, para a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa ("Omnis Civitas Contra se Divisa Non Stabit"), quando me deparei, perto do término da Calçada de Carriche e consequente início do Campo Grande (aquilo há-de ter outra designação, mas sejamos práticos, acho que toda a gente me entende), junto à zona do Paço do Lumiar, com uns vibrantes cartazes anunciando o regresso das Grandiosas Quintas à Praça de Touros do Campo Pequeno. Se não eram grandiosas, eram algo do género. Vi os cartazes. Vi os forcados. Vi os bandarilheiros. Vi os cavaleiros. Vi a faena e a festa brava. A festa rija. Vi a classificação de idades. Espectáculo para maiores de seis anos. Em numeral cardinal: 6.
Vá lá... miúdos de seis anos a ver aquele espectáculo aberrante de horas seguidas de homens a maltratar animais? Haverá assim tanta frustração sexual que se tenha que descarregar num animal mais viril que os homens, só para se sentirem superiores? Meus amigos, esses fatinhos justos na virilha e no rabo, com lantejoulas, pouco ou nada ajudam. Há jogos de computador bem menos violentos classificados como para maiores de 12, por amor de deus!
Quero dizer a essas pessoas, esses penteadinhos que organizam este tipo de "eventos" que estamos numa sociedade diferente daquilo que eles pensam. Sim, há, infelizmente, estrangeiros e turistas que vêm ver as touradas, sim, é verdade que, ocasionalmente, isso dá dinheiro, mas não creio que isso justifique o facto de realizarem espectáculos de tão baixo nível. Os senhores não têm nunca argumentos decentes para defender a sua causa.
Uns dizem que é tradição. Ora, se é tradição, tanto direito tinham os centro ou sul-americanos descendentes de nativos de fazer rituais em que matavam dezenas de jovens virgens em alto de pirâmides, atirando-os de seguida para dentro de fossos profundos, para que o sol continuasse a brilhar todos os dias. Se os romanos actuais quisessem tanto reavivar a tradição, apenas em prol disso mesmo, teríamos talvez Tibério renascido e novos coliseus montados em diversas partes, para que homens combatessem entre si até à morte ou satisfação da assistência. Felizmente, essas pessoas preferem manter a tradição no seu devido lugar: nos registos históricos, na passagem de testemunho oral e escrita, mais do que na perpetuação dos actos, realizando-os, físicos, concretos, reais, desenquadrados de uma forma "contemporânea" de pensar, de sentir e de agir. Ou de um mínimo bom-senso. Outros, ainda, dizem que os touros criados dentro daquelas raças típicas de tourada (os miura, particularmente) não têm mais utilidade do que essa. Permitam-me discordar. Os pequineses, cães criados pelos chineses num reinado de um imperador qualquer, também não tinham outra função que proteger os donos, num raio de acção reduzido (geralmente estavam escondidos nas mangas), de pessoas com más intenções, saltando e mordendo-as. Hoje, são uma raça generalizada que, embora ocasionalmente agressiva para com desconhecidos mal intencionados, são cães afáveis e de trato fácil. Acredito que os touros pertencentes a raças e linhagens exclusivamente dedicadas à tourada, até aos dias de hoje, se não forem educados a tratar mal os humanos e a considerá-los uma ameaça desde o dia em que nascem, até ao dia em que, invariavelmente, morrem na arena, poderão ser touros normais, que vivem vidas normais, num campo ou num estábulo, pastando e vivendo como qualquer bovino. Perdão - os touros portugueses não morrem na arena. Morrem nos bastidores, em condições higiéncias deploráveis, e a carne é depois vendida a distribuidores, para que o consumidor em geral a coma.
Temos tradições que, apesar de tudo, não magoam ninguém, não violam direitos dos animais ou das pessoas, embora, enfim, possam cometer graves ofensas visuais, estéticas, ou até sonoras (cf. ranchos folclóricos e algum fado cantado em tabernas depois de demasiados tintos, panachés ou ginjas, em geral), que não há mal nenhum em continuar a realizar. Mas, touradas, meus amigos? E abertas ao público a partir dos seis anos? Ver montes de homens francamente em superioridade frente a um animal sozinho? E não me venham com histórias de que aquele "toiro" mataria sem remorso todos os homens na arena, e que é a "inteligência" do homem contra o "poder" e a "força bruta" do "toiro"... é cobarde, é muito cobarde fazerem isso a um animal que está em visível e franca inferioridade. E aparecem em programas de televisão, com os vossos cabelos e os vossos fatinhos de tweed e as vossas camisas da Victor Emanuel e os vossos sapatinhos de ir ao figo da Giovanni Galli e os vossos bigodes, ora fartos, ora aparados em formas ridículas, e os vossos pins da bandeira monárquica na lapela, defendendo que amam e conhecem e respeitam mais os "toiros" do que os cidadãos que, no seu perfeito juízo, abominam e condenam a prática da "bonita festa de toiros". Criam-nos desde que nascem para odiar e temer as pessoas. Por amor de deus (ou Deus, maiusculado, como tantos desses senhores prefeririam, peço perdão), digam-me, a sério, que podem considerar isso amar e conhecer e respeitar os touros... educam-nos para ser uma coisa que não interessa mais a ninguém. Sim, estou consciente da vida que os touros levam em muitos matadouros. Sim, como carne, e de vaca também, e sei que um animal teve de morrer, para que eu possa comer a sua carne. Mas sei que esse animal não morreu num espectáculo deplorável de degradação humana, perante uma multidão que o vê ser chacinado, distraídos de tudo e vendo os bandarilheiros, airosos, cravando estacas coloridas no flanco dos animais indefesos - sim, indefesos, consta que inclusivamente lhes aparam os chifres, para que não colham mais seriamente algum toureiro desprevenido. Ainda por cima, com miúdos de seis anos a poderem assistir.
E isto é tradição.

segunda-feira, maio 08, 2006

"Eh, pá! Houve um boss que dropou ali alta sword para o meu priest!" *, ou o fascínio dos MMORPGs e MMOGs em geral.

Toda a gente que me conhece sabe do meu às vezes doentio fascínio por jogos de computador e da minha análise um tanto ou quanto parcial em relação a esse mesmo tema. Este é mais um desses bonitos e didácticos textos, portanto, peço desculpa e até alguma paciência.
Como é possível ver, pelo meu perfil (ver à direita), sou um marmanjo já passado da fasquia dos vinte anitos, logo, passei por algumas experiências em termos de jogos que muita cambada de jovenzinhos porreiraços e malucos não passaram. A minha primeira consola foi uma NES, quando tinha seis ou sete anos, e o meu primeiro jogo (aparte o Super Mario Bros., incluso no pacote promocional da consola) foi The Legend of Zelda naquele fabuloso cartucho dourado. Para mim, sim, é verdade, aqueles eram os verdadeiros dias dourados dos jogos de vídeo, onde os jogos contavam pela sua jogabilidade e inovação, ao invés da capacidade de processar um certo número de polígonos e cálculos e efeitos de luz e fumo e sombra por segundo. Depois, veio a geração de 16bit, um autêntico bombardeamento em termos de inovação dos títulos disponíveis para as consolas, não só a nível gráfico, como, obviamente, a nível da capacidade que os jogos agora tinham de contar histórias e mostrar até alguma arte por parte dos criadores. Sim, é isso que eu aprecio nos jogos: o processo criativo dos produtores/realizadores (como nos filmes, exactamente), que os leva a conceber aqueles mundos e aquelas situações. Um jogo de vídeo, na minha concepção, passando por todas as suas fases (criação, concepção, pesquisa, arte conceptual, argumento, programação, lançamento, publicidade...), não é, nem nunca foi, muito diferente de um livro ou de um filme, às vezes até de um quadro. Há cerca de vinte anos que este vosso caro joga jogos de vídeo. Não sou nenhum entendido no assunto, nenhum pro na coisa, mas sei o que sei e, para além de tudo o mais, considerando que é isso o mais importante, sou capaz de pensar por mim, e não jogar só o que as revistas ou os sites ou os programas de jogos me aconselham. Ora, hoje em dia, ninguém tem uma opinião formada.
Ultimamente tenho saído com adolescentes que só jogam aquilo a que, carinhosamente, chamo de "comercialada", ou seja, jogos que cairam numa fórmula certa de sucesso e nunca dela sairam. Jogos como Grand Theft Auto, Elder Scrolls, Hitman, Splinter Cell, Call of Duty, entre muitos outros, maioritariamente First Person Shooters (FPS) e jogos de acção de fórmulas fáceis, que pouco ou nada puxam pela criatividade dos realizadores/produtores dos jogos. É óbvio que não pretendo que se volte a jogar RPGs como originalmente, numa cave escura e poeirenta, à noite, apenas com quatro ou cinco pessoas, uma folha de papel, lápis e canetas, uma pessoa que faria de Dungeon Master (hoje em dia, num jogo de vídeo, este Dungeon Master seria o programador, realizador e inteligência artificial, tudo ao mesmo tempo), e muita imaginação e criatividade, mas confesso que abomino o que aconteceu aos jogos de vídeo actualmente. Para além de um grupo de pessoas que sente algum fascínio gratuito apenas pelos gráficos e pela violência, sem dar importância alguma ao que se fez antes dos jogos actuais, e sem reconhecer o valor dos jogos antes da era 3D, irrita-me sobretudo a nova geração de jogadores online. Há uns anos atrás, começaram a surgir os primeiros jogos multiplayer jogados através de uma ligação de internet. Nessa altura, como em todos os inícios, os jogos online eram o que deveriam ter continuado a ser, um sítio onde se convivia e onde cada um vivia a sua aventura individual, sozinho ou em grupo, onde ninguém reclamava com ninguém, simplesmente se andava ali, a explorar um (geralmente) vasto e novo mundo virtual, onde cada pessoa podia viver a sua experiência própria, convivendo com outros jogadores como lhes conviesse. Estes jogos, na sua maioria RPGs (Role Playing Games, ou seja, jogos em que o jogador assume um papel numa história - usualmente o de protagonista, embora não necessariamente), eram uma lufada de ar fresco e de inovação no mundo um pouco parado dos jogos de vídeo de então. Houve até muitos MMORPGs de carácter alternativo que, ou nunca vingaram, ou tiveram que se tornar (como verão, mais à frente, no texto) comerciais - um exemplo destes RPGs "traidores" é o, anteriormente genial e hoje absurdamente blockbuster e vulgar, Survival Project International. De seguida, os FPSs passaram também a ter suporte online, chamando toda uma faixa de gente muito mais superficial, apenas concentrada na perfeição e na competição, no facto de serem melhores e mais violentos e superiores a todos os outros jogadores que se atravessem no seu caminho. Desenvolveram técnicas baratas para serem bem sucedidos nas suas "missões" de subirem a escala de melhor jogador, ficando escondidos, saltando sem parar, entre muitas outros bonitos e leais e justos métodos de se relacionarem com o jogador que quer tirar o partido de um jogo, sem ser (outro termo carinhoso) "cagão". Apenas a vitória importa, para estes jogadores actuais. Cedo, aquilo que nos MMORPGs (Massive Multiplyer Online Role Playing Games) era chamado de "newbie", ou "noob", isto é, alguém que joga há pouco tempo e está ainda a aprender as técnicas do jogo, ou seja, alguém que devemos respeitar e ensinar, se tornou num termo depreciativo, para designar todos aqueles que, por vários motivos, não seguem aquilo que essas pessoas acham que são as "regras básicas" do bom funcionamento competitivo, só porque quiseram fazer algo de diferente - coisa que, supostamente, seria promovida, em vez de abafada. No fundo, hoje em dia, se alguém faz parte de uma equipa e não respeita as ordens daquele que se auto-intitula como o "Pro", querendo fazer a sua própria história, é logo, imediatamente, apelidado de noob. E está marcado para o resto da sua experiência enquanto jogador de jogos online, sendo até, na distância do lar do dito "Pro" e seus camaradas carneiros da manada de MMOGs (Massive Multiplayer Online Games), convidado e incitado a abandonar o mundo dos jogos online, por não "os saber jogar como deve ser". Tudo começou quando os jogadores de FPSs online começaram a interessar-se por alguns MMORPGs de fórmulas mais comerciais e fáceis, como o Lineage II, da NCSoft, ou, mais recentemente, o estupidamente comercial World of Warcraft. Foi o pior que poderia alguma vez ter acontecido. Para cativar estas pessoas, estes jogos nada têm de inovador ou alternativo, são apenas jogos que repetem o que sempre se fez em RPGs desde a época do ASCII (jogos feitos no sistema operativo de directórios, programados com simples caracteres - letras e símbolos variados - para os computadores), repetindo-o e repetindo-o e repentindo-o sem nunca reformular nada, até à exaustão. E estas pessoas, esta nova geração de jogadores, recusa-se a olhar para trás, para o que se fez nas consolas de 8 e de 16bit, onde tudo o que eles jogam surgiu, com muito mais inovação do que, sinceramente, as versões que eles tanto adoram e consomem hoje em dia. Isto gera vários factores que eu, não sendo nada parecido a um sociólogo, não irei interpretar.
Como já o disse, estes novos jogadores são adeptos do jogo fácil e competitivo, em que ganhar através de todos os meios é premissa certa e indiscutível. Já nos jogos de singleplayer, são pessoas que se recusam a fazer os seus próprios esforços, indo procurar ajuda sobretudo à internet, para depois dizerem que passaram tal jogo com todos os segredos e todos os sub-níveis e sub-missões desbloqueados, completos, acabados, etc. Nos jogos online, são jogadores que utilizam patches e mods e hacks e cheats e códigos, para terem toda a facilidade do seu lado. São uns merdas, no fundo, peço perdão pela vulgaridade, mas é o que realmente me apetece dizer... e são, também, pessoas que tentam ser cool e in e bem e fixes e porreiras, e recusam-se a traduzir as coisas, mesmo que se estejam a referir a items gerais, que têm a sua tradução para português... meus caros amigos, eu vou-vos dizer isto, de uma vez por todas: A MENOS QUE SE ESTEJAM A REFERIR A UM ITEM ESPECÍFICO (i.e. "Sword of Omens", nos Thundercats, "Master Sword", em The Legend of Zelda, etc.), OS ITEMS GERAIS (espadas, maças, machados, adagas, túnicas, armaduras, flechas, arcos, tudo, meus amigos, TUDO!) PODEM E DEVEM SER REFERIDOS PELOS SEUS NOMES EM PORTUGUÊS! Refiro-me, não só a items, como a classes, para não ouvirmos as aberrações dadas como exemplo no título do texto, entre outras pérolas, ainda por cima quando o inglês é mal falado. Por exemplo, um desses jovenzinhos irritantes que infelizmente tem saído comigo aos Sábados à noite, e com quem tenho tido o desprazer de conviver (para quem a vida não vai mesmo além de jogos de vídeo - embora apenas a supra-citada "comercialada"), refere-se bastantes vezes a "robes" (túnicas, no contexto do jogo) em inglês, dizendo-o como em português. Meus queridos e joviais camaradas: em português, um robe é mais uma coisinha que se veste em casa, com chinelinho e lencinho, para se fumar um cachimbo à lareira, está bem? Deixem de ser irritantes e pseudo-cool, e chamem as coisas pelos nomes, não é por dizerem as coisas em português que o jogo deixa de ser melhor. Ah, e não é por causa de a Gamespot dar grandes notas aos jogos, que eles passam a valer a pena, desculpem acordar-vos para a realidade, mas é assim... felizmente, todos temos a nossa própria opinião. Joguem comercialada, meus queridos e estimados colegas de existência, mas ao menos reconheçam que a comercialada, o blockbuster dos jogos de vídeo, não presta, caiu em fórmulas sempre iguais e demasiado fáceis, que, espero, se gastem, mais tarde ou mais cedo.
Deixem que os MMORPGs voltem a ser o que eram. Deixem cada um jogar como quer. Deixem cada um fazer de um MMORPG aquilo que é suposto fazer: ter o seu próprio e distinto papel numa história que também é sua. Respeitem os ritmos de cada um. Não obriguem as pessoas a vergarem-se a um estilo de jogo, se não querem. E parem com a competição e com a ofensa desenfreadas. Porque também há sempre alguém para vos dar na boca.
E porque a vida, meu amigos, vai para além dos jogos de computador e de vídeo, e os próprios jogos de vídeo vão para além disso que vocês pensam que eles são. Pelo menos os jogos de vídeo REALMENTE inovadores e REALMENTE bons em termos de jogabilidade. Mesmo que tenham aparecido há vinte anos atrás. E um dia, acreditem, será só isso que resta. Apenas esses jogos serão referenciados como obras-primas.

Um abraço. E gastem muito dinheiro nas vossas subscrições ridículas de WoW. E não tenham vida própria. E não abram os vossos horizontes.



* - leia-se "su-órd" em vez de sword e "pri-ésst" em vez de priest. Grato pela atenção.

quinta-feira, março 16, 2006

Cineminha maluco

Eu não fui ver o Match Point. Sinceramente, a minha paciência para o Woody Allen já se esgotou há muito tempo. Aliás: não sei se é a minha paciência para o Woody Allen, se é a mesma paciência, mas para o cinema minimalista-embora-comercial, na sua generalidade. Ou, até, por muita estupidez minha, para o cinema, globalmente falando. Cada vez mais, tendo invariavelmente para os filmes de terror de série B da minha infância e adolescência, não entendo porquê. Talvez porque toda a gente (eu, incluso) lhes reconhece uma tremenda falta de qualidade, particularmente a nível do argumento/história. É a mais pura das verdades, sim. São horríveis. Mas correspondem a um certo encanto. Não desapontam, não criam expectativas demasiado elevadas. São o que são. Proporcianam uma certa quantidade de sustos (ou uma certa quantidade de risos, caso se seja do tipo de pessoas que, para dar um ar de forte, goza com a coisa, e tal...), alguma nudez gratuita, meninas mortas em chuveiros, em pinhais isolados, após uma cena de coito vaginal com um parceiro demasiado magro e com um cabelo péssimo, mas já sabemos para o que vamos: vamos ver uma sessão de cinema de merda, sim.
Contudo, o cineminha minimalista-embora-comercial gera decepções. Decepções veladas por conversas envolvidas em tabaco e café, com livros de escritores franceses ou pelo menos francófonos sobre as mesas. As pessoas que analisam esses filmes geralmente falam as mesmas opiniões que os críticos dos jornais. Atribuem as mesmas estrelas que o DN, as mesmas bolinhas que o Público, ou vice-versa; "sim, sim, este realizador coreano, e tal, o Mário Pinho-Almeida, no Público, diz maravilhas desta obra prima poética e visual, com ilacções possivelmente aplicáveis ao consumo exacerbado de pastéis de nata e do esquerdismo perigoso e latente nas repúblicas ostracizadas do báltico sul". Note-se que eu não sei se existe algum indivíduo, de seu nome Mário Pinho-Almeida, nem tampouco se tal criatura fantástica escreve críticas de cinema para o Público. Marito, se estás a ler isto, peço, desde já, e publicamente, humilde perdão.
É óbvio que tamém abomino as comédias-românticas sem substância, e que aprecio algum tipo de cinema independente, sim, é certo. Mas, por favor, não me impinjam o cinema do Woody Allen, que eu estou tão cansado... e podem ir vê-lo tocar clarinete, ainda que ele toque tão mal, só porque adoram os filmes dele... eu irei ver o "V, for Vendetta" e o Underworld 2 e posso afirmar, desde já, que vou gostar. Muito.

quarta-feira, março 08, 2006

Quantas considerações ridículas acerca de muitas ou poucas coisas...

Eu gosto do Kevin Spacey
porque o Kevin Spacey me lembra subitamente o Nuno Júdice.

quarta-feira, fevereiro 15, 2006


Eu estava no computador. Provavelmente a jogar.

quinta-feira, janeiro 26, 2006

(sim, eu vejo e gosto de ver animes, ler manga, jogar jogos de vídeo...)

naruto

é sempre bom saber estas coisas...
e é triste que ainda nenhuma estação de televisão nacional se tenha lembrado de passar o Naruto. Só Do-Re-Mi e Sailor Moon... apre! Homessa!